As captações de recursos por empresas brasileiras no primeiro semestre registraram queda de 37% no mercado doméstico, em renda variável e fixa, totalizando R$ 63,449 bilhões ante um ano, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 8, pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Quando avaliadas apenas as operações externas, a redução foi ainda mais intensa, de 76,7%, para US$ 8,06 bilhões.

Os números refletem, segundo a Anbima, a piora da economia brasileira no primeiro semestre de 2015. Somados, os mercados de captações local e externo ficaram no nível mais baixo desde 2009, com queda de 60% em relação aos primeiros seis meses de 2014, R$ 74,3 bilhões.

“De fato, as poucas emissões domésticas no mês passado reforçaram esse quadro, sendo este o pior junho da década, com volume de apenas R$ 2,15 bilhões, considerando as ofertas de renda fixa e variável”, destaca a Associação, em boletim ao mercado. Tal montante, conforme a Anbima, representou queda de 90% em um ano.

No segmento de renda variável, apesar do maior volume captado em relação ao mesmo semestre do ano passado (+11,5%), apenas duas empresas recorreram a esse mercado, repetindo o baixo interesse observado em 2014 pelo financiamento por meio da colocação de ações.

Já o mercado de captações externas, que iniciou 2015 sem novas operações, totaliza US$ 5,9 bilhões em junho, com retração de 20,8%, na mesma base de comparação. No mês, seis companhias brasileiras emitiram quase US$ 6 bilhões. “Em grande medida, as ofertas externas foram estimuladas pelo aumento do custo das emissões locais, com a trajetória de alta da taxa Selic”, explica a Anbima.

Nesse contexto, as debêntures, de acordo com a associação, continuaram com o posto de principal instrumento de renda fixa utilizado pelas empresas na primeira metade de 2015. Segundo a Anbima, as emissões sob esforços restritos prevaleceram entre as modalidades de captação, como ocorre desde 2010.

Apesar da piora no cenário econômico, a associação destaca o crescimento da participação das ofertas via Instrução CVM 400, de amplos esforços de distribuição, que atingiu 23,6% contra a média de 13% dos últimos quatro anos. Segundo a Anbima, tal elevação foi impulsionada pelas emissões das debêntures para os projetos de infraestrutura.

“Nesse sentido, o Programa de Investimento em Logística, anunciado pelo governo no começo de junho, reforçou o papel do mercado de capitais entre as fontes de financiamento dos projetos do Programa, criando uma expectativa favorável, principalmente para as debêntures, para o começo do segundo semestre deste ano, quando está prevista a rodada de concessões públicas”, conclui a Anbima.

Projeção 2015

A diretora da Anbima, Carolina Lacerda, disse, em teleconferência, que o total de emissões neste ano, considerando renda fixa e variável, deverá ficar semelhante ao registrado no ano passado. Isso porque, destacou, são esperadas grandes operações no terceiro trimestre deste ano, principalmente de ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês), “lembrando que o ano passado já foi ruim, impactado com Copa e eleições”, afirmou.

Carolina afirma ainda que o esforço conjunto que vem sendo feito com a Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para estimular as captações de companhias no mercado de capitais também deverá ajudar a melhorar os números de captações ao longo dos próximos meses.

Entre os principais IPOs esperados para a próxima janela de oportunidade estão dois do setor de seguros, o IRB e a Caixa Seguridade. Segundo a diretora da Anbima, ofertas grandes como essas, devem ajudar a aquecer o mercado.

Em renda fixa, Carolina destaca que as emissões mostraram a alta volatilidade do mercado. Segundo ela, grande parte das emissões continuaram sendo feitas via instrução 476, que é aquela com esforços restritos, o que, segundo ela, é natural, visto que grande parte das empresas emissoras tem capital fechado.