Janeiro foi marcado por uma forte paralisação das captações nos mercados de capitais locais e externos, de acordo com o boletim divulgado na tarde desta segunda-feira, 9, pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Excluindo operações de debêntures de leasing, o total captado nos mercados de renda fixa e variável em janeiro foi de apenas R$ 1,85 bilhão, montante 70% inferior ao registrado em janeiro do ano passado. Somando as debêntures de leasing, esse volume sobe para R$ 11,85 bilhões em janeiro deste ano. Em janeiro de 2014, não houve nenhuma emissão de debêntures de leasing.

De acordo com a Anbima, a ausência de emissões externas e a concentração das ofertas de renda fixa doméstica no final de 2014 contribuíram para que o volume mensal de captações via mercado de capitais ficasse abaixo do observado em janeiro e dezembro do ano passado. A associação avalia que esse movimento foi puxado pelas perspectivas de piora do cenário econômico e da continuidade de elevação dos juros em 2015.

A Anbima destaca que as emissões de notas promissórias, instrumentos de prazo mais curto e utilizados em momentos de alta de juros, registraram o menor volume emitido nos últimos três anos, somando apenas R$ 330 milhões em janeiro. Em janeiro de 2014, foram emitidas R$ 1,1 bilhão em notas promissórias.

A Anbima atribui o fraco volume de janeiro ao elevado montante captado em dezembro do ano passado, quando foram emitidos R$ 5,8 bilhões desses papéis (79% referente a uma única emissão), superando em mais de 120% a média mensal de R$ 2,6 bilhões de 2014.

A Anbima diz que o mesmo movimento parece ter ocorrido para as debêntures ex-leasing e para os CRIs, com as colocações de dezembro de 2014 superando em 71% e 174% as médias mensais do ano passado. Em janeiro, as operações de emissão de debêntures excluindo leasing foram de apenas R$ 1,268 bilhão, contra R$ 2,882 bilhões em janeiro de 2014; enquanto as emissões de CRIs somaram R$ 168 milhões, contra R$ 278 milhões em janeiro de 2013.

O ambiente econômico influenciou também o perfil das emissões das debêntures ex-leasing no mês, com a totalidade das ofertas sendo remuneradas pelo DI, taxas de curto prazo, e com vencimento majoritariamente até três anos.

Em relação às emissões de FIDC, o volume captado no mês (R$ 87 milhões) superou o de janeiro de 2014 (R$ 70 milhões), em linha com o crescimento desse instrumento no último ano. Estão em análise na CVM duas novas ofertas de FIDC no total de R$ 375 milhões, projetando um ano favorável ao segmento. No período, não foram realizadas operações com ações.