Embora considerado positivo, o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo semestre ficou abaixo do esperado pelos analistas de bancos estrangeiros. Com isso, foi reforçada a aposta de que o crescimento econômico em 2007 ficará mais próximo dos 4,5%, e não dos 5% alardeados pelo governo. Em relação aos próximos passos do Banco Central (BC) nos juros, não há consenso. O economista do banco Dresdner Kleinwort, Nuno Camara, reduziu sua previsão para o crescimento econômico do Brasil em 2007 de 4,8% para 4,6%.

"Está ficando cada vez mais claro que a probabilidade do PIB neste ano ficar mais próximo de 4,5% do que de 5% ou mais – o que seria bem acima do potencial da economia – aumentou significativamente", disse. "Por outro lado, o Banco Central provavelmente continuará cortando os juros." Camara observou que embora o PIB no segundo trimestre tenha ficado abaixo das expectativas, ele apresenta algumas características positivas. "O consumo privado está crescendo fortemente mas não num ritmo explosivo como alguns temiam", disse. "Ainda mais importante é o fato que o crescimento no investimento foi muito vigoroso, o que representa um sinal positivo para a sustentabilidade da recuperação.

Pedro Jobim, economista do banco ING, manteve sua previsão de um crescimento de 4,6% para a economia brasileira em 2007. "Além do setor de serviços, que deve continuar tendo uma boa performance no restante do ano, acreditamos que o PIB do setor agrícola vai ganhar força ao longo do segundo semestre, ajudando a atingir essa previsão", disse. "A indústria também deve continuar com uma performance positiva, mas não deve repetir o resultado impressionante do segundo trimestre." Jobim acredita que os números do PIB do segundo trimestre "oferecem algum conforto ao Banco Central", pois mostram que está ocorrendo uma expansão equilibrada da demanda agregada. "Mas isso não vai impedir que o BC suspenda o ciclo de relaxamento monetário caso as expectativas inflacionárias ou a inflação corrente se deteriorem ainda mais", afirmaram.

Zeina Latif, economista do ABN Amro, também manteve sua previsão de o PIB crescerá 4,5% neste ano. "Em relação à política monetária, esse resultado não altera nossa visão de que haverá uma prolongada pausa no ciclo de queda dos juros" disse. Segundo ela, a aceleração da demanda doméstica para 5,5% no segundo trimestre e o fato de que a queda dos juros nos últimos meses ainda não foi totalmente transmitida para a economia são fatores que recomendam cautela ao BC. "A melhora nos investimentos é uma boa notícia, mas até agora não fez com que a economia até agora operasse acima de seu potencial", disse.

O economista Alberto Ramos, do banco Goldman Sachs, disse que o resultado do PIB brasileiro no segundo trimestre mostra que o crescimento econômico continua se acelerando, mas num ritmo inferior ao esperado de um país com o potencial do Brasil. "O crescimento está se firmando – de 3,7% no final de 2006 para 4 8% nos 12 meses encerrados em junho de 2007 – mas ainda está aquém do esperado de uma economia com potencial econômico significativo que tem se beneficiado de uma conjuntura externa favorável única desde 2003", disse Ramos.

"A ausência de genuínas reformas (estruturais e micro) e a dominância fiscal estão provavelmente ainda impedindo que economia atinja se potencial completo." O analista disse que a "carga tributária extremamente pesada para um país com esse nível de desenvolvimento, uma carga de dívida pública ainda muito elevada, uma baixa taxa de investimento em relação ao PIB, uma pequena abertura para o comércio externo, e outros impedimentos micro", continuam impedindo que o crescimento alcance seu potencial completo e se acelere sustentadamente a um novo patamar, como por exemplo, de 5% ou 6% ao ano.

Ramos prevê que nos próximos meses o crescimento continuará moderadamente acima de sua tendência histórica ancorado na demanda doméstica. Ele calcula que a expansão do PIB brasileiro vai se acelerar dos 3,7% registrados em 2006 para 4,5% em 2007.