Analistas do mercado financeiro receberam com ressalvas a decisão do governo, tomada na última sexta-feira, 10, de transferir R$ 1,2 bilhão de recursos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para cobrir a exposição involuntária das distribuidoras ao mercado de curto prazo. Relatórios divulgados hoje classificam a decisão de temporária, destacando a falta de uma solução de longo prazo para o problema.

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“Esperamos uma reação positiva do mercado, especialmente em relação à Copel, Light e Cemig, as quais têm sido atingidas duramente pelas incertezas no capital de giro. Entretanto, pode ser muito cedo para celebrar”, escreveram os analistas Paula Kovarsky e Gabriel Laera, do banco de investimentos Itaú BBA.

Os analistas do banco JP Morgan Marcos Severine e Henrique Peretti avaliaram que o momento atual ainda é de grande incerteza. “Achamos que as duas próximas semanas serão decisivas para o setor, porque é quando esperamos que o governo anuncie o pacote de medidas para endereçar o reembolso dos custos não gerenciáveis das distribuidoras”, afirmaram os analistas, em relatório.

Os analistas Lilyanna Yang e Carlos Herrera, do banco UBS, chamaram atenção para o fato de os recursos da CDE serem escassos. “O Tesouro Nacional já reservou no orçamento R$ 9,9 bilhões para a CDE para 2014, mas pode precisar injetar outros R$ 20 bilhões este ano para impedir que o setor quebre e aumente em 18% as tarifas de energia”, escreveram os analistas.

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As empresas de distribuição ainda precisam contratar 3,5 mil MW médios, o que as obriga a ter que comprar a energia no mercado de curto prazo em um momento de fracas chuvas e baixo nível dos reservatórios, o que elevou o preço spot a R$ 822,23/Mwh.

Para os analistas do Credit Suisse Vinicius Canheu e Pedro Manfredini, a medida trouxe um alívio parcial ao setor, por ser limitada ao mês de janeiro e não cobrir o custo do despacho térmico. O fato de o governo não ter anunciado uma solução definitiva levou aos analistas do Credit concluírem que a conta ser bancada em 2014 é muito maior do que foi em 2013, de modo que provavelmente o custo das térmicas será repassado para as tarifas de energia.

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“Outras medidas (como limitar os preços spot) poderiam ser parte de uma solução mais abrangente”, avaliaram. Para os profissionais do Credit Suisse, o reajuste extraordinário das tarifas seria a melhor solução, mas o efeito colateral disso seria o impacto na inflação que, desde o ano passado, o governo está tentado controlar.