Há um canal de transmissão direto entre o financiamento externo dos bancos brasileiros, que vem crescendo, e a ampliação das carteiras de crédito. A conclusão consta do Working Paper 365 publicado pelo Banco Central com o título “Banking Systemic Risk, Foreign Funding, Exchange Rate Exposure and Carry Trade: is there a relation?”. O trabalho foi realizado por Bruno Vasconcelos e Benjamin Tabak.

“Estudamos qual o impacto sistêmico da captação externa dos bancos e quais são os determinantes desse fluxo de capital internacional. Com isso, pretendemos estabelecer uma relação entre a captação externa, carry trade, exposição cambial dos bancos e risco do sistema bancário, o que é novidade na literatura”, escreveram os estudiosos.

Para elaborar o trabalho, que não necessariamente representa o ponto de vista do Banco Central, os autores usaram uma base de dados exclusiva para as transações cambiais dos bancos combinada com outras bases de dados macro e microeconômicas. “Nossos resultados indicam que os bancos aumentaram seu portfólio de crédito, livre de aplicação regulamentar, em períodos nos quais os bancos aumentam sua captação externa”, escreveram. Esses resultados, de acordo com eles, podem quantificar esse efeito e servir como base para os formuladores de política em termos de análise de política macroprudenciais.

Vasconcelos e Tabak salientaram que, entre 2001 e 2012, o Brasil tem mantido uma taxa de juros alta em relação ao resto do mundo. Ao mesmo tempo, a taxa de câmbio apresentou baixa volatilidade no período. Esse quadro propiciou ao País uma entrada significativa de recursos internacionais na última década e esse dinheiro foi usado por diferentes agentes, como investidores, fundos de hedge e bancos estrangeiros que negociam com moeda estrangeira. Para o estudo, foram pinçadas apenas as características do financiamento obtido por bancos brasileiros.

Os autores se dispuseram a responder três perguntas: qual o risco sistêmico e o impacto do financiamento externo dos bancos brasileiros, quais os determinantes para o financiamento internacional e como a crise de 2008 afetou essa dinâmica. “Os dados mostram que houve um aumento, desde 2003, da participação do financiamento estrangeiro para bancos”, disseram os estudiosos. Esse resultado, de acordo com o trabalho, significa que os bancos brasileiros têm aumentado o uso desse tipo de financiamento na composição de seu crédito total. O estudo revela também que a maior parte desse funding tem entrada e saída no País por meio de contratos firmados em dólares, ainda que, especialmente antes da crise de 2008, tenha sido visto um forte impulso de negócios em euro e iene, também.

“Acreditamos que é possível argumentar que o aumento do financiamento externo dos bancos no Brasil entre 2003 e 2011 esteve relacionado com uma posição de maior risco em ativos bancários”, escreveram Vasconcelos e Tabak. Eles, no entanto, não conseguiram estabelecer uma relação entre esses financiamentos externos e os resultados dos bancos com choques no mercado de câmbio. A íntegra do trabalho em inglês está disponível no site do Banco Central na internet.