Brasília – A crise política entre Equador e Colômbia gera ?insegurança? em todos os países da região, especialmente os menores, na avaliação do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Por isso, segundo ele, o Brasil fará todo o possível para facilitar o diálogo entre os dois países.
?Continuamos envolvidos num esforço de tentar mitigar essa crise. O Brasil, naturalmente, tem interesse na paz, na integração, no desenvolvimento da região. E qualquer conflito desse tipo é altamente preocupante?, afirmou nesta segunda-feira (3), em entrevista coletiva, ao frisar que os esforços brasileiros não têm qualquer motivação doutrinária.
Pelo menos por enquanto, está descartada a criação de um grupo de países amigos para intermediar a crise entre Equador e Colômbia, a exemplo do que ocorreu em 2003, quando por inciativa brasileira os Estados Unidos, Brasil, México, Chile, Espanha e Portugal mediaram a crise interna venezuelana.
Amorim evitou comentar a intervenção do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que inclusive determinou o envio de tropas militares para a fronteira do país com a Colômbia. O chanceler disse considerar a Organização dos Estados Americanos (OEA) como o melhor ?canal?, no momento, para discutir o assunto: ?A Venezuela, como o Brasil, como o Equador, como a Colômbia, é membro da OEA. E creio que aí teremos uma ocasião adequada para discutir os temas.?
Amanhã (4), o Conselho Permanente do organismo analisará proposta brasileira de criação de uma comissão para investigar a ação militar colombiana no Equador. ?Isso permitiria circunscrever o tema no aspecto bilateral e, eventualmente, até resolvê-lo?, disse Amorim, que descartou o envio de tropas brasileiras para a fronteira com a Colômbia, a exemplo do que fizeram Equador e Venezuela.
?Não creio que seja o momento de fazer nada a esse respeito: trata-se de um problema entre dois países amigos. Não creio que vá haver um agravamento que torne isso necessário. Se houver, vamos ver", ponderou.
Para o futuro, caso necessário, o chanceler brasileiro não excluiu a possibilidade de buscar novos parceiros interlocutores, como a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice: ?O primeiro passo é procurar uma harmonia sul-americana e latino-americana em relação ao tema, mas eu não excluo que em algum momento ainda possa falar com a Secretária de Estado, ainda vou refletir sobre isso."
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