Os economistas norte-americanos Robert E. Hall e Michael Woodford venceram o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas de 2026. A Academia Real das Ciências da Suécia anunciou a premiação nesta segunda-feira (12), concedida pelos fundamentos microeconômicos da estabilização macroeconômica. Os dois dividirão o prêmio de 12 milhões de coroas suecas, cerca de 1,2 milhão de dólares. As informações são da Gazeta do Povo.
O prêmio reconhece a nova geração da teoria econômica, usada hoje na política monetária de grandes bancos centrais. Em vez de tratar a economia como uma caixa-preta de relações entre indicadores, Hall e Woodford a reconstruíram a partir das decisões individuais de famílias e empresas. Eles deram a governos e bancos centrais ferramentas para suavizar ciclos econômicos sem gerar inflação.
Hall estudou o consumo das famílias
Hall doutorou-se no MIT em 1967 e é pesquisador sênior da Hoover Institution e professor na Universidade Stanford. Ele dedicou-se ao maior componente da atividade econômica: o consumo privado. Em artigo de 1978, demonstrou que, se as famílias suavizam o consumo ao longo da vida, o consumo atual já embute toda a informação disponível. Ele só muda diante de notícias novas e, como o novo não pode ser antecipado, as variações mudam de forma imprevisível.
Em 1982, com Frederic Mishkin, Hall estimou que a maior parte da população consome com base em expectativas futuras. Uma parcela menor, sem acesso ao crédito, vive da renda do momento.
Woodford estruturou a política de juros
Woodford formou-se em Direito em Yale, doutorou-se em Economia no MIT em 1983 e é professor da Universidade de Columbia. Ele partiu da rigidez de preços: como reajustar tabelas tem custo, empresas em concorrência imperfeita não as corrigem a cada oscilação e precisam olhar para a frente ao fixá-las.
Woodford mostrou que o banco central deve mirar a taxa de juros em relação à taxa natural, sem depender do controle de agregados monetários. Seu livro Interest and Prices, de 2003, tornou-se a bíblia do modelo mais usado em política monetária há mais de 15 anos. Da obra saíram instrumentos adotados desde a crise de 2008, como a orientação futura: comunicar as intenções sobre os juros que virão para guiar as expectativas quando as taxas nominais chegam ao limite zero.
Na avaliação da Academia, essa abordagem evitou que as recentes pressões inflacionárias descarrilassem em estagflação prolongada ou depressões como a de 1930. John Hassler, presidente do Comitê do Prêmio, resumiu a relevância da obra: com eles, estamos mais preparados para lidar com choques na economia, como crises energéticas ou mudanças repentinas no consumo das famílias.
