Brasília – A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou nesta terça-feira (2) o relatório Trabalho Decente e Juventude na América Latina, com o perfil do jovem latino-americano em relação ao desemprego, à informalidade e à inatividade.

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O relatório aponta que cerca de 10 milhões de jovens latino-americanos entre 15 e 24 anos de idade estão desempregados, o que equivale a 16% do total da força de trabalho nessa faixa etária, que é de 106 milhões de jovens na América Latina. Outros 30 milhões trabalham na economia informal e 22 milhões não estudam nem trabalham.

?Esses são dados realmente preocupantes, que são uma chamada, um alerta, uma chamada de atenção para a necessidade dos países, das sociedades investirem na juventude?, alerta a diretora do escritório da OIT no Brasil, Laís Abramo. Segundo ela, apesar desses dados, a situação na América Latina atualmente é melhor do que há cinco ou dez anos.

?Dizemos que esses jovens nasceram na chamada década perdida, que foi entre a década de 80 e 90 onde o crescimento econômico foi muito ruim na América Latina, onde aumentou a pobreza, aumentou a desigualdade social, mas a realidade que está se vivendo agora é outra, de reversão de alguns desses indicadores negativos. Então a nossa aposta também é ver qual é a potencialidade que existe nessa juventude, dentro desse contexto, para se reverter essa situação?, diz.

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No Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), existem 4,5 milhões de jovens entre 15 e 29 anos que estão desempregados, fora da escola e sem o ensino fundamental completo.

Com base nesses dados, o governo federal lançou no mês passado o novo ProJovem, programa que unifica seis outros já existentes voltados para a juventude – Agente Jovem, ProJovem, Saberes da Terra, Consórcio Social da Juventude, Juventude Cidadã e Escola de Fábrica.

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O secretário nacional da Juventude, Beto Cury, diz que a idéia do programa é fazer com que até 2010 quatro milhões de jovens entre 15 e 29 anos de idade consigam formação profissional e tenham emprego garantido.

?A cada ano, mais jovens que têm 14 anos fazem 15 e estão na mesma condição. O problema é que se nós não atacarmos fortemente esse dado, daqui há três anos não serão 4,5 milhões, serão 7 milhões. Então é preciso que a gente faça algum esforço, e é isso que estamos fazendo, de integração, de unificação, de melhorar a qualidade daquilo que nós já estamos fazendo?, afirma.

O relatório da OIT ressalta a importância de outros programas brasileiros criados para melhorar a situação da juventude, entre eles o Programa Universidade para Todos (ProUni), que abre vagas em universidades para estudantes de baixa renda, e o Trabalho Doméstico Cidadão, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que leva escolaridade às trabalhadoras domésticas.

O lançamento do relatório da OIT aconteceu durante a reunião do Conselho Nacional de Juventude e contou com a presença do diretor-adjunto da OIT para a América Latina e o Caribe, Virgílio Levaggi.