Rio de Janeiro – O ambiente econômico na América Latina está estável e favorável aos negócios. Esse é o quadro dos últimos dois anos, segundo a pesquisa Sondagem Econômica da América Latina, divulgada nesta segunda-feira (11) pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Instituto Alemão IFO (Institute for Economic Research at the University of Munich). Pela primeira vez, a Sondagem Econômica Mundial (World Economic Survey) fez uma versão comparativa do estudo para a América Latina.

A pesquisa tem como base as respostas de 110 especialistas em 15 países da região. Eles opinam sobre a situação econômica local e as perspectivas para o futuro. No último ano, o Brasil ficou em sétimo lugar, atrás da Colômbia (6º), Argentina (5º), Chile (4º), Costa Rica (3º), Peru (2º) e Uruguai (1º). Na pesquisa de abril deste ano, Brasil e Chile ficaram em quinto, atrás da Argentina (4º),  Costa Rica (3º), Peru (2º) e Uruguai (1º).

A pesquisa indica, observando a região como um bloco, que as avaliações dos especialistas a respeito de suas respectivas economias são ainda heterogêneas, "mas nos últimos anos esta heterogeneidade tem diminuído".

A maior convergência de opiniões, segundo a pesquisa, poderia ser atribuída a dois fatores. O primeiro deles seria a percepção mais favorável em relação "às políticas econômicas domésticas". A segunda estaria relacionada a fatores externos como o "elevado grau de liquidez [facilidade para transformar os ativos de empresas em dinheiro vivo] dos mercados financeiros internacionais; a melhora dos indicadores de vulnerabilidade externa dos países emergentes e os resultados superavitários de comércio exterior dos países latinos, favorecidos pela a elevação dos preços das commodities agrícolas, minerais e industrias de grande relevância na pauta de exportações".

Os dados coletados pela pesquisa mostram que o ambiente da economia latino-americana se manteve "favorável aos negócios" pelo sétimo trimestre consecutivo. O Índice de Clima Econômico Ifo/FGV (ICE) alcançou 5,8 pontos, 0,6 ponto acima da média dos últimos dez anos, ficando próximo ao nível máximo de 6,0 pontos, alcançado no início de 2005.

O ICE é composto de dois índices: o Índice da Situação Atual que atingiu 6,1 em abril, o maior já registrado nos últimos dez anos, e o Índice de Expectativas, que atingiu 5,5 pontos, ficando um pouco abaixo da média histórica de 5,6 pontos.

Segundo a FGV, "o resultado indica que os analistas econômicos da região interpretam o momento atual de forma favorável, mas se mostram cautelosos quando chamados a avaliar as perspectivas de continuidade da tendência de melhora ao longo de 2007".