São Paulo – O dólar comercial interrompeu a seqüência de três quedas consecutivas e fechou, ontem, em alta de 0,48%, cotado a R$ 3,090 na compra e R$ 3,095 na venda. O clima de otimismo predominou no mercado de câmbio, mas a moeda não escapou de um ajuste técnico, depois de ter despencado 2,62% na véspera. Os títulos da dívida externa brasileira também sofreram correção, apesar de as notícias continuarem positivas.

A inflação voltou a dar sinais de desaceleração e as captações externas reforçam a expectativa de fluxo cambial positivo. Nesta quarta, Banco do Brasil e Itaú BBA concluíram captações de US$ 75 milhões e US$ 100 milhões, respectivamente. As exportações também garantem ingressos expressivos e quase sempre atendem a demanda por dólares. Diante dos ingressos de recursos, as pressões de compra têm sido limitadas a pequenos lotes destinados ao pagamento de compromissos externos imediatos.

– O dólar caiu demais na terça-feira e era natural que hoje subisse, até por conta da proximidade do feriado de Páscoa. O Brasil está num momento muito bom e somente uma notícia extraordinária mudará esse cenário de confiança crescente no País. Além das captações externas, as contas públicas vão muito bem, assim como a maioria dos fundamentos econômicos – disse Mário Paiva, analista gráfico da corretora Liquidez.

Segundo o analista, a tendência da moeda ainda é de baixa, que pode ser retomada mais claramente na próxima semana, depois do feriado. Ele não descarta a queda da cotação para o patamar inferior a R$ 3,00, apesar de todas as dúvidas. Paiva ressalva que os ingressos de recursos no País ainda são de curto prazo e restritos às empresas de grande porte.

– O fluxo de recursos é bom, mas também é nítido que esse dinheiro vem ao País atraído pela possibilidade de arbitragem com os altos juros praticados no País. É preciso que o crédito se alongue e alcance empresas de menor porte – disse ele.

O dia foi de poucas notícias e o clima já é de véspera de feriado no mercado interbancário. Com isso, o mercado de juros futuros dedicou o dia à repercussão do resultado da segunda prévia do IGP-M de abril. A taxa ficou em 0,86%, contra 1,13% da medição anterior. Ainda hoje será conhecido o IGP-10 de abril, outro índice que concentra atenções na semana que antecede a reunião mensal do Copom.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2004, o mais negociado, fechou em 25,33% ao ano, contra os 25,38% do fechamento de anteontem. O vencimento de julho deste ano recuou de 26,15% para 26,12% anuais.