Alta do desemprego em março era esperada, diz o Besi Brasil

Comparada à mediana das expectativas dos analistas do mercado financeiro em relação à taxa de desemprego em março, de 6,1%, segundo levantamento do AE Projeções, a taxa efetiva de 6,2% divulgada nesta terça-feira, 28, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforça o que já se esperava. A avaliação é do economista-sênior do Espírito Santo Investment Bank (Besi Brasil), Flávio Serrano, que previa na passagem de fevereiro para março uma taxa de desemprego de 6%.

“Tudo isso já era esperado. Se você comparar a mediana de 6,1%, não há diferença significativa. Isso faz parte do processo de desaceleração da economia brasileira”, disse o economista. Faz parte do ajuste, disse ele, acrescentando que espera ver o desemprego caminhando para algo entre 6,5% e 7% em termos dessazonalizados nos próximos 12 meses.

“Vale lembrar que uma parte dessa alta (do desemprego) é sazonal de fevereiro para março. Mas ainda assim o desemprego subiu em termos dessazonalizado”, afirmou Serrano, para quem essa dinâmica continuará afetando negativamente o consumo.

Apesar de classificar o aumento da taxa de desemprego ao ajuste da economia, Serrano discorda da tese de que o mercado de trabalho é a principal variável de ajuste econômico. “O ajuste é mais amplo que isso e não se limita apenas a um ajuste da taxa de desemprego”, contestou o economista do Besi.

Serrano também não acredita que o aumento do desemprego em março, divulgado na véspera da reunião do Copom, possa influenciar o pensamento do colegiado. “Como já disse, isso (aumento da taxa de desemprego) já era esperado. Eles levam em consideração esta informação, mas também diversas outras para compor o cenário provável para a inflação”, explicou Serrano.

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