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Feijão foi um dos produtos que surpreendeu e ?pesou? no bolso do consumidor.

Os alimentos estão pesando no bolso do consumidor curitibano. No mês passado, eles ficaram 3,44% mais caros – a quarta alta consecutiva e a terceira maior variação no ano. Desde janeiro, a cesta básica já subiu 10,32% e, nos últimos 12 meses, a alta acumulada é de 4,43%. Os números são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, regional Paraná (Dieese-PR).  

Conforme pesquisa divulgada ontem, os preços dos alimentos não param de subir desde agosto – de lá para cá, eles já aumentaram 10,4%. Em novembro, dez produtos registraram alta, dois queda e um permaneceu estável. A batata, o feijão e a carne – com aumento de 28,08%, 12,78% e 7,87%, respectivamente – foram os itens que mais pressionaram a cesta básica em Curitiba. Caso os preços dos três produtos tivessem permanecido estáveis, ao invés de inflação, haveria deflação de 1,41%.

O período de entressafra, marcada pela redução da oferta do produto e elevação do preço, é o que tem pressionado o preço da batata, que em dois meses ficou quase 50% mais cara. No caso do feijão, que subiu nas 16 capitais pesquisadas pelo Dieese, o aumento está atrelado ao tempo seco, que prejudicou a ?safrinha? e atrasou o plantio da próxima safra. Segundo Sandro Silva, economista do Dieese-PR, a tendência é que o preço do produto continue subindo.

Também a variação da carne foi praticamente generalizada, com alta em 15 das 16 capitais pesquisadas. Em Curitiba, o quilo da carne já subiu 13,20% desde julho, por conta sobretudo da questão climática – o tempo seco prejudica a pastagem e aumenta o custo da produção. Segundo Silva, o abate das matrizes no período de crise do setor também prejudicou, reduzindo a oferta do produto.

Outros produtos que tiveram alta nos preços em novembro foram o arroz (aumento de 7,05%), a banana (2,06%), óleo de soja (1,98%), café (1%), pão (0,67%), farinha de trigo (0,42%) e manteiga (0,11%). Por outro lado, ficaram mais baratos o tomate (-19,69%) – por causa da safra – e o açúcar (-0,88%). O preço do leite permaneceu estável.

A cesta básica em Curitiba custou R$ 185,31 em novembro, e para uma família composta por quatro pessoas o valor foi de R$ 555,93. Na comparação com outras capitais, a cesta de Curitiba foi a sétima mais cara do País – a mais cara foi registrada em São Paulo (R$ 205,48) e a mais barata em João Pessoa (R$ 142,43). Das 16 capitais pesquisadas, onze tiveram aumento no custo da cesta – com destaque para Brasília, que apresentou alta de 6,40% – e cinco, queda. Curitiba registrou a sétima maior variação, de 3,44%.

No acumulado do ano, todas as 16 capitais pesquisadas registram aumento na cesta, com destaque para Salvador (alta de 17,35%), Aracaju (16,34%) e Vitória (13,79%). Já a menor alta ficou com João Pessoa (6,39%), única cidade com alta inferior a 10%. Curitiba registrou a sexta menor alta do País, com variação de 10,32%. A questão climática, a quebra da safra de alguns produtos e a recuperação de preços tanto no mercado interno como externo têm pressionado o custo dos alimentos.

Produtos de higiene e limpeza ficaram 0,99% mais caros

Não foram apenas os alimentos que ficaram mais caros em novembro. Produtos de higiene e limpeza tiveram alta de 0,99%, segundo pesquisa divulgada ontem pelo Dieese-PR em parceria com a Federação dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação do Paraná (Feaconspar).

Os produtos de higiene foram os que mais subiram (1,06%), com destaque para o sabonete (que ficou 5,82% mais caro na comparação com outubro), creme para pele (alta de 4,51%) e condicionador de cabelo (3,79%). Por outro lado, houve queda no preço do papel higiênico (-1,96%) e no creme dental (-2,41%).

Entre os produtos de limpeza, a alta média foi de 0,88%, influenciada sobretudo pelo sabão em pó, com alta de 1,43%, água sanitária (4,09%) e cera para assoalho (1,19%).

Desde janeiro, os artigos de higiene já subiram 4,18% e os de limpeza, 3,93%. Com isso, o grupo como um todo – produtos de higiene e de limpeza – acumula alta de 4,07%.

De acordo com a diretora da Feaconspar, Amélia Auerbach, a pesquisa de preços auxilia nas negociações com o sindicato patronal na hora de discutir o reajuste salarial, cuja data-base é no dia 1.º de fevereiro. A categoria deve pedir reajuste de 10%. No último acordo, o índice fechado foi de 5,72%, que incluiu reposição da inflação mais aumento real de 2,71%. Em todo o Paraná, há cerca de 50 mil trabalhadores no setor de asseio. O piso salarial da categoria é R$ 400,00.

Mínimo deveria ser de R$ 1.726,24

Estudo distribuído ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontou que o salário mínimo do trabalhador brasileiro deveria ser de R$ 1.726,24, no mês passado, para suprir suas necessidades básicas e da família. A constatação foi feita por meio da utilização da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de novembro, realizada pela instituição em 16 capitais do País. O salário mínimo atual é de R$ 380,00.

Com base no maior valor apurado para a cesta básica, de R$ 205,48, em São Paulo, e levando em consideração o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para garantir as despesas familiares com alimentação, moradia, saúde, transportes, educação, vestuário, higiene, lazer e previdência, o Dieese calculou que o mínimo deveria ser 4,54 vezes maior do que o piso vigente, de R$ 380, e cerca de R$ 70,00 a menos que o valor apurado para outubro, quando chegou a R$ 1.797,56 (4,73 vezes).

O Dieese informou também que o tempo médio de trabalho necessário para que o trabalhador que ganha salário mínimo pudesse adquirir o conjunto de bens essenciais aumentou em novembro, na comparação com o mês anterior. Desta maneira, na média das 16 cidades pesquisadas, o trabalhador que ganha salário mínimo necessitou cumprir uma jornada de 101 horas e 11 minutos, quase duas horas a mais do que em outubro, quando o comprometimento correspondia a 99 horas e 19 minutos. Em novembro de 2006, a jornada necessária ficava em 100 horas e 29 minutos.