Rio (AE) – Pressionada por altas de preços em alimentos e combustíveis, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) atingiu em janeiro o maior nível em 9 meses, subindo 0,84% – 14 vezes superior à taxa de dezembro (0,06%) e acima das expectativas do mercado financeiro, que esperavam uma taxa entre 0,30% e 0,60%. Porém, para a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que anunciou ontem o indicador, a aceleração não reflete aumento generalizado de preços, mas um momento passageiro de elevação, no cenário da inflação.
O período de coleta de preços do IGP-10 foi de 11 de dezembro a 10 de janeiro. Os preço no atacado (que têm maior peso na formação do índice) foram os grandes responsáveis pela aceleração na taxa do indicador, subindo 1,03% em janeiro, ante queda de 0,16% em dezembro. Um dos fatores que mais contribuíram para essa elevação foi a perda da influência benéfica do câmbio, segundo o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros.
Entre os destaques de elevações que puxaram para cima a inflação no atacado estão a disparada, de dezembro para janeiro, nos preços de produtos agrícolas (de 0,61% para 2,32%), principalmente soja (de -2,01% para 6,40%), e o fim da deflação nos preços dos produtos industriais (de -0,41% para 0,63%). Esse segmento está sendo fortemente influenciado pela onda de aceleração no preço do álcool hidratado (de 4,93% para 5,04%).


