Brasília – O vice-presidente da República, José Alencar, disse ontem, após reunião de cerca de uma hora com o representante de comércio dos Estados Unidos, Robert Zoellick, que as negociações para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) devem levar em consideração a diversidade dos países e os interesses de cada um deles. De acordo com Alencar, a formação da Alca é importante para todos os países americanos e os impasses que existem não podem impedir acordos em pontos de consenso.

“O que se pretende com a Alca é favorecer o consumidor. O consumidor, onde quer que ele esteja, deve receber os bens de consumo da melhor qualidade, com o custo mais econômico, e produzidos de forma sustentável”, afirmou Alencar. Segundo o vice-presidente, para se alcançar esse objetivo será preciso superar os interesses divergentes dos diversos países para se chegar a um ponto comum. “É preciso hierarquizar o que vai ser tratado. Primeiro é importante saber se nós estamos de acordo com a filosofia, do contrário não vamos estabelecer um rumo para as negociações. Se nós estivermos de acordo com a filosofia, já é meio caminho andado antes de descermos aos detalhes setoriais. Foi muito boa a reunião porque eu tive a oportunidade de colocar a minha posição e também de colocar o meu aplauso à Alca, desde que a filosofia consulte o interesse do consumidor, e desde que a filosofia respeite as características de cada país”, afirmou.

José Alencar defendeu a negociação entre o Mercosul e os Estados Unidos, o chamado quatro mais um, para que possa haver uma ampliação dos mercados, mesmo antes de serem finalizadas as negociações da Alca.

OMC

A posição do governo brasileiro de negociar no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) questões sobre propriedade intelectual, investimento e serviços e compras governamentais foi colocada pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Amorim esclareceu que a determinação do governo brasileiro é decorrente da posição dos Estados Unidos de somente admitir negociar a redução de subsídios à sua agricultura junto à OMC. O chanceler disse, no entanto, que ficou satisfeito em perceber que o governo norte-americano valoriza o papel do Brasil como parceiro importante no processo de negociações da Alca e não somente como parceiros na presidência dessas negociações. Amorim disse que na conversa com Zoellick nem todos os problemas e diferenças foram resolvidas.