A General Motors (GM) prorrogou, pela segunda vez, por mais três meses, o lay-off de 400 trabalhadores da fábrica de São Caetano do Sul (SP) que deveriam retornar ao trabalho nesta sexta-feira (10). A informação é do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade, Aparecido Inácio da Silva. Os funcionários que continuarão afastados fazem parte do grupo de 819 empregados que estão com contratos suspensos desde novembro. A montadora não comentou o assunto.

A ampliação do lay-off, afirma Silva, foi negociada entre a empresa e o sindicato. Segundo o dirigente, a ideia inicial da GM era demitir os 819 trabalhadores. “Mas fizemos uma paralisação ontem (terça-feira) de duas horas na linha de montagem para pedir o estancamento das demissões. A montadora decidiu estancar e concordou em prorrogar o lay-off de 400 pessoas até 9 de outubro”, disse. Pelo contrato inicial do lay-off, os metalúrgicos deveriam ter retornado ao trabalho em abril, mas a montadora prorrogou a suspensão dos contratos até 9 de julho.

Demissões

Os outros 400 trabalhadores do grupo de 819 deverão ser demitidos pela montadora, informou Silva. Alguns funcionários já foram informados da demissão, mas o sindicato ainda não tem o número exato de quantos cortes já foram anunciados.

A previsão é de que as demissões sejam homologadas no início de agosto. A empresa não confirmou números, mas avaliou que os cortes em São Caetano atingem menos de 5% do efetivo total da fábrica, não informado pela montadora, mas estimado em 9,8 mil pelo sindicato.

Em nota à imprensa sobre as demissões, a GM destacou que os cortes foram aprovados pelos metalúrgicos durante a assembleia em que o lay-off foi acertado, ainda no ano passado. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos confirma que, no contrato, não havia nenhuma cláusula que garantia o retorno. “Diziam que ia depender da economia”, afirmou. Segundo ele, o documento garante o pagamento de seis salários em caso de demissão.

Silva ressaltou que os outros cerca de 600 metalúrgicos de São Caetano que estão em lay-off desde maio continuam afastados até outubro. Eles deveriam retornar ao trabalho em agosto, mas também tiveram o afastamento prorrogado.

Durante a renovação do lay-off, o dirigente sindical lembra que os salários serão pagos pela empresa, já que o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) só pode bancar salários por até cinco meses, de acordo com a legislação atual.