O presidente do Banco Goldman Sachs Brasil, Paulo Leme, acredita que as medidas que serão anunciadas pela nova equipe econômica terão resultados modestos. Em apresentação a clientes e parceiros da gestora americana Western Asset, na quarta-feira (3), Leme afirmou que o ajuste fiscal tende a estancar a deterioração das contas públicas e talvez trazer algum avanço. “Mas caso as medidas não venham em profundidade e num escopo mais amplo, o resultado será moderado”.

Leme acredita que a contenção do crescimento do financiamento por meio dos bancos públicos deve acontecer. A desaceleração, entretanto, deve ocorrer menos por vontade e mais “por falta de combustível”.

Sobre o ajuste nos preços administrados, o presidente do Goldman Sachs Brasil estimou um aumento aquém do necessário. Sobre a inflação, ele acredita que o IPCA continuará gravitando perto de 6,5%. “Acho difícil vermos uma redução rápida e crível em direção aos 4,5% ou a uma mudança para 3%”, afirmou. Na palestra anterior no evento da Western Asset, o economista-chefe e sócio do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, afirmou que, no mundo ideal, seria interessante o centro da meta da inflação cair para 3%.

Sobre a política monetária, Leme acertou o aumento de 0,50 ponto porcentual da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), encerrada na própria quarta-feira (3), e projetou novos aumentos nas reuniões de janeiro (+0,50 pp) e março (+0,25 pp). No fim desse ciclo de aperto monetário, a equipe do Goldman projeta a Selic a 12,50%.

A dúvida que paira no mercado sobre a política cambial também exige a atenção do executivo do Goldman. Para ele, também não ficou claro se o Banco Central vai renovar o programa de swaps cambiais. “Não está claro se vai soltar ou não a taxa. (Minha opinião é) que deve soltar”, concluiu.