O coordenador-adjunto do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), Rafael Costa Lima, afirmou hoje que a depreciação cambial ainda não foi sentida pelos preços ao consumidor em São Paulo. “Ainda não houve reflexo do câmbio no IPC”, disse, em entrevista para comentar o indicador calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que ficou em 0,25% em setembro. De acordo com ele, o impacto sobre a inflação no varejo vai depender da persistência do dólar em níveis elevados nos próximos meses, que, se confirmada, pode pressionar, por exemplo, produtos eletrônicos, que têm boa parte de itens importados em sua composição.
Outro item sujeito às pressões no câmbio são as passagens aéreas. “O dólar pode puxar mais adiante”, comentou sobre esse produtos, que em setembro esteve em segundo lugar na lista de quedas dos que mais contribuíram para o IPC. No mês passado, passagem aérea teve variação negativa de 2,52%, com variação ponderada de -0,01 ponto porcentual no IPC, ou contribuição de -5,30%. O primeiro lugar do ranking foi ocupado por tomate, com recuo de 6,12%.
Mas Costa Lima afirma que, particularmente, não acredita em um impacto do câmbio no curto prazo. “Acho que o câmbio pode ser mais fortemente sentido só no ano que vem. Nos índices de varejo, esse efeito não tem sido tão forte assim”, comentou. Costa Lima ponderou ainda que a queda nos preços de commodities é um fator que ameniza efeito do câmbio na inflação.
Para o coordenador-adjunto, o aumento do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), em 30 pontos porcentuais, para automóveis não produzidos no Brasil também não deve ter influência sobre o IPC. “A não ser que se reflita na competitividade do setor como um todo”, ponderou. Ele argumentou que a participação de automóveis importados dentro do IPC é ínfima.
O novo IPI entrou em vigor no dia 16 de setembro, aplicado a empresas não habilitadas no regime automotivo, que exige contrapartidas em inovação, conteúdo regional e fábrica no Brasil, e ficará entre 37% e 55% para automóveis, 30% para caminhões e 34% para caminhonetes e comerciais leves.


