Economia

AGU pede ao STF manutenção da proibição das bets no Brasil

Cúpula da Câmara dos Deputados no Congresso Nacional, com os prédios da Esplanada dos Ministérios
Cúpula da Câmara dos Deputados no Congresso Nacional, com os prédios da Esplanada dos Ministérios. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.

A Advocacia-Geral da União pediu ao Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira (6) que mantenha a proibição das apostas online no Brasil. O órgão sugeriu ainda que o ministro Luiz Fux ouça a Procuradoria-Geral da República antes de decidir sobre os pedidos de empresas do setor e que seja realizada uma nova audiência pública para discutir os impactos da medida. As informações são da Gazeta do Povo.

A manifestação foi apresentada após Fux determinar que a AGU se pronunciasse sobre pedidos da Associação Nacional de Jogos e Loterias e do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável. As entidades querem suspender a medida provisória assinada pelo presidente Lula a nove dias do primeiro turno da eleição presidencial e que sejam mantidas em atividade as empresas que já haviam recebido autorização para operar.

O governo sustenta que a proibição ocorreu após a constatação de impactos das apostas no orçamento das famílias, endividamento e saúde. A AGU também informou que a redução da arrecadação foi considerada nas decisões, estimada em R$ 1,541 bilhão em 2026, R$ 5,150 bilhões em 2027 e R$ 5,330 bilhões em 2028.

Proibição entrou em vigor na madrugada de terça

A proibição das bets no Brasil passou a vigorar oficialmente na madrugada desta terça-feira (6), com a derrubada dos sites e orientações aos usuários. Levantamento em 50 das principais plataformas constatou que 17 passaram a redirecionar para um aviso no site brasilsembets.gov.br.

Após a proibição, milhares de sites clandestinos passaram a surgir na internet. A AGU informou que entre os dias 25 de setembro e 1º de outubro foram encaminhados para bloqueio mais de 10,4 mil plataformas ilegais e pedidos de retirada de cerca de 3 mil páginas, perfis, canais, grupos e servidores.

Empresas autorizadas alegam prejuízos com investimentos

Na área da saúde, a AGU citou dados do Ministério da Saúde segundo os quais o serviço de teleatendimento para problemas relacionados às apostas tinha 24,2 mil pessoas registradas, 2 mil em tratamento e 5,1 mil atendimentos realizados. A Plataforma Centralizada de Autoexclusão registrava ainda 1,2 milhão de pessoas, sendo que 36,41% apontaram perda de controle sobre o jogo como motivo para deixar as plataformas.

As entidades do setor afirmam que as empresas autorizadas fizeram investimentos para cumprir as regras do governo, incluindo taxas de outorga de R$ 30 milhões por licença. A AGU rebateu que as autorizações não garantiriam um direito permanente à legislação que permitia a atividade e que as regras já previam a possibilidade de extinção por interesse público.

Antes do encerramento dos sites regulados, 26,5 milhões de pessoas ainda mantinham R$ 1,33 bilhão nas plataformas, segundo dados do Ministério da Fazenda.

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