Brasília (AE) – Empresários do agronegócio e associações que representam produtores brasileiros de sementes e mudas e da indústria de óleos vegetais estiveram ontem com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Eles foram reivindicar ao ministro que o governo federal coordene ações de proteção policial aos bens, fazendas e laboratórios de pesquisa que, segundo eles, estão sob ameaça de invasões de movimentos ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

?Estamos apreensivos e indignados com os recentes episódios de invasões e destruição de anos de pesquisa. Simpatizamos e até entendemos as reivindicações de muitos desses movimentos, mas há o limite da lei que protege a propriedade privada?, resumiu o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleo Vegetal (Abiove), Carlo Lovatelli, ao final da reunião.

Carta aberta

Os empresários do setor entregaram ao ministro uma carta aberta em que pedem a adoção por parte do governo de ?medidas preventivas e urgentes contra os atos de violência? ocorridos no mês passado. ?O cenário de instabilidade e de desrespeito ao direito de propriedade atinge em cheio o agronegócio brasileiro, ameaçando mais gravemente a capacidade produtiva nacional?.

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, por meio de sua assessoria, declarou que o governo federal está preocupado com os recentes episódios de invasões a propriedades privadas, como laboratórios, de empresas ligadas ao agronegócio. ?Não criminalizamos os movimentos sociais, mas ninguém pode transgredir os limites da lei. E ninguém está acima da lei?, afirmou o ministro, em nota.

Thomaz Bastos disse que o governo tem se manifestado duramente quando episódios do tipo acontecem, lembrando que o ministro da Reforma Agrária, Miguel Rossetto, se manifestou contrariamente aos atos recentes. ?Eu pedi à Polícia Federal que atue de alguma forma, mas há dificuldades por causa do conflito de atribuições?, disse o ministro. Ele ressaltou, no entanto, que a PF faz trabalho preventivo em conjunto com as polícias estaduais, de todas as esferas, por meio do Sistema Único de Segurança Pública (Susp).