Agricultores de Colombo estão sem receber desde agosto

Pequenos agricultores que fazem parte da Associação dos Produtores Agrícolas de Colombo – Apac -, na Região Metropolitana de Curitiba, estão apreensivos. Muitos deles entregaram os produtos (convencionais e orgânicos) à associação ainda no ano passado e até hoje não receberam os valores correspondentes. Eles desconfiam de suposta irregularidade por parte da atual diretoria.

?Estamos sem receber desde agosto do ano passado?, contou o agricultor Edson Luiz Ceccon, que cultiva produtos orgânicos como couve-flor, repolho e milho verde, e é associado da Apac há nove anos. Segundo ele, muitos agricultores deixaram de produzir desde então. Outros continuaram produzindo e arcando com as despesas até quando puderam. No caso de Ceccon, a produção seguiu até fevereiro desse ano. ?Agora estou parado?, revelou.

Entre mercadorias que foram entregues e não pagas, o agricultor diz que tem R$ 13 mil para receber da Apac. ?Fiz um financiamento no banco no valor de R$ 10 mil, que vence em setembro. Vou ser obrigado a vender um implemento?, lamentou. Segundo ele, há agricultores que acumulam perdas muito maiores, de R$ 40 mil a R$ 50 mil. ?A associação deve cerca de R$ 300 mil aos agricultores?, disse. De acordo com Ceccon, numa situação normal o agricultor deveria receber em 45 dias depois de entregues as mercadorias.

?O presidente da Apac alega que os mercados deram descontos maiores, de até 50%. Mas a questão é que ele só fala, não mostra números?, denunciou. Membro do conselho fiscal da Apac, Ceccon conta que, conforme o estatuto da entidade, a prestação de contas teria que passar pelo conselho, o que não vem ocorrendo na gestão atual.

Na última quarta-feira, uma comissão formada por associados da Apac entregaram ao governador Roberto Requião e ao secretário estadual da Agricultura, Newton Pohl Ribas, um documento denunciando os problemas sofridos pelo setor e solicitando algum tipo de providência. ?Estamos com medo de estarmos fadados ao fim. Crescemos lidando na terra, criamos nossos filhos com o produto dela, e agora estamos em uma situação em que estamos tendo que pedir ajuda para que seja investigado o que está acontecendo com a Apac?, diz o documento.

A equipe de reportagem tentou contato com o atual presidente da Apac, Douglas Eduardo Costa Martins, para que ele comentasse as denúncias, mas não conseguiu localizá-lo. Tanto na sede da Apac como em sua empresa particular, a informação era de que ele não estava, e os funcionários não sabiam onde encontrá-lo. O número do celular também não foi fornecido.

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