O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, defendeu a descentralização da gestão do setor energético brasileiro. Na visão do especialista, que foi uma das pessoas que colaborou para o programa energético do candidato à presidência Aécio Neves (PSDB), é preciso dar maior autonomia às agências reguladoras e aos governos estaduais.

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“O País não pode ter uma política energética comandada a partir de uma cadeira em Brasília. É preciso que haja descentralização, menos intervencionismo e regras mais claras”, sintetizou Pires. “As secretarias (estaduais) de energia devem ser mais ouvidas. É preciso dar mais poder a quem está próximo da sociedade”, complementou o diretor do CBIE, após defender a realização de leilões regionais e voltados a diferentes fontes energéticas.

Pires acredita que o próximo governo federal, seja ele o atual comando petista, seja ele dos partidos de oposição, precisará lidar com um cenário bastante adverso, que poderá resultar na necessidade de um racionamento energético. “Precisaremos torcer para que chova a partir de novembro. Se não chover, o racionamento é quase inevitável”, destacou o executivo, que participou, no dia 21 de julho, do 11º Congresso Brasileiro de Eficiência Energética (Cobee), organizado pela Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco).

Após classificar a MP 579, a medida provisória da renovação de concessões, como “a maior ‘bagunça’ já vista no mercado brasileiro em todos os tempos”, o diretor do CBIE afirmou que, se fosse o governante do País, suspenderia os efeitos da lei para as concessões que vencerão em 2015.

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“A lei não pode ser revogada, até porque já há empresas que estão pagando esta conta, que são as empresas do grupo Eletrobras. Mas é preciso suspender seus efeitos porque teremos concessões a vencer no ano que vem. É preciso parar para cortar as coisas ruins que ela trouxe”, disse.

Na visão de Pires, o maior equívoco do governo federal foi ter dado prioridade apenas à modicidade tarifária, um modelo que prioriza o custo baixo das tarifas. “É preciso haver incentivo também ao investimento”, salientou. Para enfrentar o momento particular vivido pelo setor energético brasileiro, o diretor do CBIE defendeu uma ampla análise em relação aos tributos que incidem sobre o custo da energia. A cobrança de PIS/Cofins, por exemplo, poderia ser eliminada, segundo Pires.

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Questionado sobre os entraves políticos para a aprovação de uma revisão tributária sobre a tarifa elétrica, a qual passaria inclusive por um ajuste na cobrança de ICMS, o executivo enfatizou que este é o momento mais adequado para um ajuste que estimule novos investimentos no setor. “O impedimento político no Congresso é uma barreira que precisa ser superada. Ou (o presidente eleito) faz isso nos 100 primeiros dias (de governo) ou não fará mais”, destacou.