A queda na concessão de recursos para aquisição de veículos mostra que a demanda por crédito é por “liquidez e não por consumo”, avaliou o economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Nicola Tingas. Segundo dados do Banco Central, divulgados nesta terça-feira, 25, as concessões acumuladas no mês de maio para financiamento de veículos à pessoa física somaram R$ 7,444 bilhões, o que representa uma queda de 2,9% em relação ao mês anterior.

Para Tingas, o crédito para consumo ou aqueles com taxas mais caras têm perdido espaço nas concessões, enquanto a busca por financiamentos para gestão de orçamento familiar tem crescido. “Enquanto a concessão (de crédito para) cheque especial cai, o consignado continua em ritmo forte. Na pessoa física, as pessoas estão tentando sair de coisas caras ou de consumo para questões de caixa”, afirmou. Segundo o BC, no crédito livre, houve crescimento de 1% para pessoas físicas no mês, 3% no acumulado do ano e 8,6% em 12 meses.

Outro destaque que mostra a disposição da pessoa física em buscar linhas de crédito para o “saneamento financeiro”, destaca Tingas, é o crescimento de operações de cartão de crédito à vista, o que não incide juros. “As pessoas ainda usam muito cartão, mas elas estão tentando sair dos juros”, afirmou.

Segundo Tingas, os números divulgados pelo BC em relação à inadimplência – que se manteve estável em 5,5% pelo terceiro mês seguido em maio – mostram que é uma situação que “está andando de lado” e que “só o tempo e vencimento das carteiras” vai ajudar a acelerar a queda na inadimplência. “Por enquanto, acho que os recursos que as pessoas tinham para lidar com a inadimplência está no limite.”