Brasília

– O acordo de transição do governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) é apenas uma questão de tempo. Ontem, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, deixou claro que, se a turbulência verificada nos mercados financeiros persistir por mais algumas semanas, o País terá de buscar apoio lá fora para conseguir sair da posição defensiva em que se encontra atualmente e tentar retomar o caminho do crescimento econômico. Ainda não estão acertadas quais serão as condições e o prazo do novo acordo mas, segundo Fraga, “essas são apenas questões operacionais. Basta o Brasil querer”.

A negociação não envolverá necessariamente os candidatos que lideram a disputa pela sucessão presidencial. “Existem várias opções de como construir esse apoio: desenhadas antes ou depois da eleição, com prazo mais curto ou mais longo”, disse Fraga, destacando que o aval dos candidatos seria dispensável num acerto por prazo mais curto. Já se a negociação com o Fundo ocorrer após as eleições, ele acrescentou que seria natural que o presidente eleito participasse.

“O que vejo hoje, olhando para esse ambiente financeiro de fato tumultuado, é que realmente algo seja feito ainda este ano. Temos condições de administrar o processo por bastante tempo, mas nosso objetivo não é ficar como nós estamos, é melhorar. Mas não tenho decisão, portanto, não posso comentar”, afirmou, recusando-se a discutir o que chamou de “condições táticas”. Ele disse, entretanto, que a idéia do governo, se for necessário buscar um reforço do FMI, é de firmar um compromisso de curto prazo.

Segundo Fraga, o apoio ao Brasil existe e já foi expresso nas declarações da vice-diretora-gerente do FMI, Anne Krueger, em visita ao Brasil esta semana. “Isso é mais do que claro. Das conversas que tive, olho no olho, percebe-se que é apenas uma questão operacional. Basta tomarmos a iniciativa de iniciar o processo”, afirmou.

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