Após desabar 12% em três dias, a Bovespa fechou ontem com a maior alta desde o mês da eleição do presidente Lula, em outubro de 2002. O principal índice do mercado subiu 5,3%. É a maior valorização percentual em um único dia desde 17 de outubro de 2002, quando disparou 6,34%. A recuperação das ações de siderurgia e de energia, que sofreram fortes quedas nas últimas semanas, puxou o índice. Analistas citam que, apesar da alta de ontem, a bolsa ainda está “refém” dos rumos do mercado global com a previsão de alta do juro nos EUA. Ontem teria sido apenas um dia de trégua.

O mercado de câmbio, por sua vez, ontem foi de quem quis aproveitar oportunidades: os exportadores, que trocaram dólares próximos de R$ 3,14 e os investidores estrangeiros, que resolveram trazer parte de suas divisas para comprar ações baratas na Bovespa, após as últimas quedas. A moeda americana encerrou na maior queda do ano, de 2,03%, aos R$ 3,076.

Em abril, o Ibovespa caiu 12,9%, pior mês desde a eleição. As turbulências no mercado preocupam o governo Lula e foram chamadas recentemente de “vendaval” pelo ministro José Dirceu (Casa Civil).

Anteontem, o Ibovespa desabou 5,46%, a segunda maior baixa do ano, acumulando perdas de 20,8% em 2004. Ainda é cedo para apostar que o pior já passou na bolsa. Basta sair um novo indicador reforçando a expectativa de alta do juro nos EUA em junho para a onda de vendas de ações recomeçar.

Entre os dados internos positivos que ganham a atenção do mercado nesta terça-feira, está o crescimento da produção industrial brasileira de 11,9% em março, na comparação com igual período do ano passado. Foi a maior alta desde janeiro de 2001.

Anteontem, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgou que as vendas reais do setor cresceram 3,45% em março na comparação com fevereiro. Já o índice de utilização da capacidade subiu de 80,5% para 81,3%.

“Se havia sinais ambíguos em relação ao crescimento, essa ambigüidade pode estar sendo dissipada pelas últimas pesquisas de produção industrial”, diz o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros.

Dois bancos estrangeiros divulgaram relatórios com posições contraditórias. O inglês HSBC elevou a recomendação para títulos de países emergentes. Já o americano Wachovia rebaixou a recomendação para a dívida brasileira.