O presidente da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Leite, disse há pouco ter orientado as distribuidoras com dificuldades financeiras a entrar com pedidos de reajuste extraordinário na primeira semana de janeiro. Segundo ele, os pedidos deverão ser feitos individualmente, com base nos cálculos apresentados por cada concessionária, com base em projeção de gastos futuros das empresas.

Leite se reuniu hoje com diretores da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para discutir o assunto e afirmou que o órgão regulador está disposto a analisar esses pedidos. Segundo o executivo, a Aneel e o futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, já sinalizaram que no ano de 2015 o setor elétrico vai viver o chamado “realismo tarifário”.

“Já há sinalização clara, tanto do regulador quanto do próximo ministro da Fazenda, de que a partir do ano que vem vamos viver o realismo tarifário”, afirmou Leite. “Há uma tendência de que o aumento de custos de energia seja repassado para as tarifas, passemos a viver realismo tarifário e não tenhamos mais aportes do Tesouro para fazer face a custos adicionais”, acrescentou.

Quatro fatores devem causar forte impacto financeiro para as distribuidoras em 2015. O executivo mencionou que o Tesouro represou, ao longo deste ano, R$ 2,1 bilhões em repasses para as concessionárias. O dinheiro cobriria gastos com subsídios que antes eram bancados pela tarifa paga pelo consumidor e que, desde 2013, foram assumidos pelo Tesouro.

Além disso, o Tesouro cancelou uma transferência de R$ 3 bilhões para o setor, que será repassada às tarifas no ano que vem, segundo a Aneel, uma vez que as empresas já pagaram os gastos com programas sociais por conta própria. O aumento na tarifa de Itaipu, de 46,14%, é outro item que vai pesar nas contas das empresas e terá um impacto de quase R$ 4 bilhões. A alta vale a partir de 1º. de janeiro.

Também falta cobertura para as despesas com a compra de energia no mercado de curto prazo nos meses de novembro e dezembro, que vencem, respectivamente, em janeiro e fevereiro. O valor deve atingir R$ 3 bilhões.

O problema é que essas despesas serão cobradas das distribuidoras a partir de janeiro. Porém, o custo só é repassado ao consumidor na data do reajuste de cada empresa, enter fevereiro e dezembro. Por essa razão, algumas empresas podem ter que arcar com uma despesa já em janeiro e somente receber o ressarcimento em novembro, caso da Light, por exemplo.