A produção da indústria gráfica cresceu 7,5% no terceiro trimestre de 2014 na comparação com os três meses anteriores, ao considerar o ajuste sazonal. Ante 2013, o avanço foi de 6,9%, divulgou nesta terça-feira, 16 a Associação Brasileira da Indústria da Gráfica (Abigraf). No acumulado do ano até setembro, no entanto, a produção caiu 1,6% em relação a 2013. A Abigraf projeta que a produção deve fechar o ano em queda de 1,7% e não espera uma reversão dessa tendência para 2015, quando a indústria gráfica deve recuar 1,1%.

Segundo o presidente da Abigraf, Levi Ceregato, o bom desempenho em julho e setembro compensou o impacto negativo da Copa do Mundo no segundo trimestre e parece ter tido como motor a produção de materiais para as campanhas eleitorais. Os fatores, no entanto, foram pontuais diante do quadro econômico atual, com retomada do ciclo de alta de juros pelo Banco Central, enfraquecimento do consumo e aumento da inadimplência nas empresas. “No curto prazo, a alta do dólar também exerce efeito negativo, embora possa tornar nossos preços mais competitivos adiante, desde que o controle dos gastos públicos não exerça pressões inflacionárias sobre o câmbio”, disse Ceregato.

Balança comercial

De julho a setembro, a balança comercial de produtos gráficos registrou déficit de US$ 54,6 milhões, 78% maior do que os US$ 30,6 milhões negativos do segundo trimestre. Mas, na comparação com julho a setembro de 2013, houve aumento de 17,5% nas exportações do setor e recuo de 9% na importação de itens gráficos. “A queda nas importações reflete provavelmente o desaquecimento do mercado interno, mas o aumento das vendas externa atesta o empenho da indústria gráfica em buscar competitividade”, comenta Ceregato.

No terceiro trimestre de 2014, as vendas externas do setor somaram US$ 75,8 milhões, capitaneadas pelo setor de embalagens (41%) e de cartões (35%). Os principais compradores das embalagens nacionais foram Venezuela (28%), Uruguai (17%) e Estados Unidos (8%). Já os cartões brasileiros seguiram principalmente para México (17%), Bolívia (15%), Chile e Argentina (12%, cada).

Na outra ponta, os itens gráficos mais importados foram os do segmento editorial (livros e revistas), com participação de 36%, seguidos de embalagens (23%) e cartões (19%).

A China foi a principal fornecedora tanto da impressão de produtos editoriais (28%) quanto de embalagens (38%). Mas houve importação de produtos editoriais também de Hong Kong (15%) e dos Estados Unidos (13%), enquanto as embalagens importadas vieram ainda de Espanha (20%) e Suíça (11%). Dentre os fornecedores internacionais de cartões, destacaram-se Estados Unidos (42%), Suíça (27%) e França (11%).

Investimentos 2014

A indústria gráfica deve somar US$ 908 milhões de investimento em máquinas e equipamentos ao final de 2014, uma queda de 16% em relação a 2013 e o resultado mais baixo desde 2007, segundo a Abigraf. O emprego formal nos quase 20,6 mil estabelecimentos gráficos brasileiros somou 216.253 postos em outubro de 2014, o que representa queda acumulada de 0,9% em relação a 2013.

As maiores baixas estão nos segmentos editorial (-3,1%) e de pré-impressão (-2,6%). No Sudeste, a indústria gráfica fechou 1.472 postos, seguida de Nordeste, com redução de 249 vagas. “A perda de massa salarial embarcada nessas quedas é alta, pois o setor tradicionalmente paga altos salários e prescinde de mão de obra especializada”, alerta Ceregato.