O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões e Serviços (Abecs), Paulo Rogério Caffarelli, espera que novas empresas credenciadoras passem a atuar no mercado brasileiro. “Esse mercado cresce 24% ao ano. Creio que no decorrer do tempo novos adquirentes irão se instalar no País”, disse, após a abertura 4º Congresso Brasileiro de Meios de Pagamento (CMEP), em São Paulo.

Empresas credenciadoras ou adquirentes são aquelas que credenciam os estabelecimentos comerciais a aceitarem cartões de crédito e débito de uma determinada bandeira. Essas companhias cobram pelo aluguel dos equipamentos que capturam essas transações e também pelo processamento das vendas feitas com plásticos. No Brasil, Redecard e VisaNet controlam mais de 90% desse mercado. Incomodado com esse duopólio, o governo federal estuda medidas para aumentar a concorrência no setor.

Na avaliação de Caffarelli, o mercado brasileiro de meios de pagamento é promissor e bastaria um estudo mais aprofundado sobre esse potencial para que novas empresas passem a atuar nele. O dirigente acredita ainda que a regulação do setor facilitará a locação e compartilhamento de redes, beneficiando novos entrantes.

Essa estrutura poderá também ser utilizada no desenvolvimento de um cartão de débito nacional, que é um dos objetivos do governo federal com a nova regulação. Hoje os plásticos de débito são dominados por Maestro MasterCard e Visa Electron. “Há várias maneiras de se fazer o débito nacional. Os bancos podem se conciliar e trabalhar em uma bandeira ou podem desenvolver um sistema sozinhos”, explicou Caffarelli.

O desenho final para o setor de cartões deve ser apresentado pelo governo ainda neste mês. Desde março, o Banco Central, a Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça e a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda trabalham na regulamentação. Esses três órgãos já sinalizaram que irão pedir o fim da exclusividade entre bandeiras e empresas credenciadoras, o compartilhamento das redes de captura, maior transparência na liquidação das transações e clareza nas tarifas de intercâmbio, além do desenvolvimento de uma bandeira de débito nacional.