Seria natural imaginar que diante de uma cenário de expansão da frota nacional de veículos com reflexos diretos na demanda por combustível, a saúde financeira dos postos de combustíveis estaria em perfeita situação. Pelo contrário, só em Curitiba, 40% dos postos estão à venda, conforme acompanhamento do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis no Paraná (Sindicombustíveis-PR). Tanto que não é raro ver aquele antigo estabelecimento de bairro em reforma para abrigar uma nova chancela, em geral de grandes redes.
“As margens caíram sobremaneira em relação à época em que os preços dos combustíveis eram tabelados pelo governo. Se antes as margens ficavam em torno de 22%, agora, não chegam a 15%”, explica o presidente do Sindicombustíveis-PR, Roberto Fregonese. Dentre as razões para a troca de comando dos postos da capital está o alto custo para abrir e manter o posto e o elevado risco do negócio, ainda mais perante as normativas ambientais e a concorrência com grandes redes. “A tendência é diminuir cada vez mais os postos bandeirados, porque esses sofrem ainda mais a pressão financeira já que ficam reféns de um único fornecedor”, aponta.
O proprietário do Auto Posto GT, Elton Zanlorensi, diz que só consegue manter as portas abertas e empatar as contas do negócio porque não paga aluguel do ponto. “Estamos com um custo operacional altíssimo, puxado pela mão-de-obra cara e escassa e as exigências ambientais. Se eu tivesse que pagar aluguel, já teria desistido do negócio porque neste ano o lucro de um mês cobriu o prejuízo do outro e sigo no zero a zero”, afirma. Como se isso não bastasse, os postos ainda precisam enfrentar uma concorrência predatória que, por vezes, é desleal. “Tem dono de distribuidora operando no comércio varejista, o que é proibido por lei, fora todos os casos de combustível roubado e sonegação que rondam o mercado”, lamenta.
Zanlorensi aponta que essa forte oscilação dos preços de combustíveis acarreta mais prejuízos para os postos. “Recebi uma carga de etanol com R$ 0,06 a mais por litro, mesmo assim mantive em R$ 1,92 o preço, porque meu concorrente direto também não alterou. É o que creio que acontecerá com a alta das refinarias. A distribuidora vai passar alguns centavos a mais, mesmo com a redução do imposto, e vamos absorver o aumento por conta da concorrência”, prevê.


