As empresas que trabalham com congressos, convenções e feiras estão esperando que 2010 seja um ano movimentado. Depois de um ano que começou em meio a uma crise econômica, com o otimismo dos empresários em baixa e os custos sendo cortados, e que teve, em sua metade, uma onda de gripe que obrigou o cancelamento ou suspensão de uma série de eventos, as empresas do setor, em Curitiba, estão com boas expectativas, agendas cheias e até investindo em expansão.

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A ideia é acompanhar as estatísticas da Associação Brasileira de Centros de Convenções e Feiras (Abraccef), que prevê um aumento de até 16% no volume de eventos este ano, no País.

No ano passado, por exemplo, o Curitiba Convention & Visitors Bureau (CCVB) teve 164 eventos listados em seu calendário, com cerca de 150 mil participantes. Os números foram baseados nas expectativas de público informadas pelos promotores. Para 2010, o CCVB já tem 28 eventos cadastrados, com expectativa para 33 mil participantes. Mas o calendário ainda está em elaboração.

No Estação Embratel Convention Center, a expectativa é grande para 2010, mesmo com a administradora do local considerando o ano passado bom, com cerca de 220 eventos realizados. “Isso, mesmo com o setor corporativo com o pé no freio e com a gripe”, diz o gerente geral do centro, Rodrigo Swinka.

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“Apesar dos percalços, foi dentro do esperado”, conclui. Ele lembra que 2008 foi um ano excelente para a empresa, mas 2010 e 2011 devem superar todos os anteriores, sendo os melhores desde que o centro abriu, há cerca de cinco anos.

Para este ano, a empresa espera um aumento considerável. “O segmento corporativo já está dando sinais de melhoria”, analisa o executivo. Como boa parte dos eventos – os de menor porte, no caso – é fechada com poucos meses de antecedência, Swinka ainda é cuidadoso ao apontar números.

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Mas diz que, no total, devem ocorrer em torno de 250 eventos no ano. Para ele, há bons sinais de que 2010 e 2011 sejam de números recordes, devido ao bom número de convenções de maior porte já marcadas.

Tais eventos, explica ele, são agendados com bastante antecedência – de um ano e meio a dois anos, em média -, e sinalizam o que se deve esperar para o futuro.

Swinka informa que feiras e outros eventos são marcados com antecedência média de um ano, e eventos corporativos menores, como reuniões, convenções e até mesmo festas de fim de ano, são marcados de um a dois meses antes.

Ainda assim, até a agenda de 2012 já foi aberta, no final do ano passado, com eventos em negociação. Para 2010, são 75 eventos confirmados por enquanto. Os meses mais movimentados são maio, no primeiro semestre, e outubro e novembro, no segundo. “Temos muito poucas datas nesses meses”, diz.

No Expo Unimed Curitiba, a expectativa também é boa, tanto que um projeto de ampliação está previsto para ser implantado até o final deste ano. A intenção é aumentar o espaço em mais 2 mil metros quadrados, elevando o local da categoria média para de grande porte, com capacidade para receber até 4 mil pessoas de uma só vez.

Parte da decisão decorre do fato de, em 2009, a empresa ter superado “com méritos”, segundo informa, a crise econômica e as turbulências relacionadas à gripe A.

A empresa Diretriz Feiras e Eventos também já está com seu calendário de 2010 pronto. No ano passado, a companhia promoveu 10 feiras. Este ano, a programação tem pelo menos um evento a mais, sendo seis deles em Curitiba ou Pinhais, onde fica o centro de eventos Expotrade.

Otimismo

Para Swinka, o fato do setor empresarial estar motivado nesse período pós-crise tem tudo a ver com a recuperação. “O otimismo retornou e as empresas voltaram a investir”, afirma.

O otimismo que está levando as empresas a organizarem mais eventos que no ano passado não fica apenas, entre as contratantes. Segundo o executivo, o próprio grupo que gerência o local decidiu trazer, também para Curitiba, a sua Bienal do Livro, marcada para os 10 primeiros dias de outubro.

“A expectativa é grande. Achamos que o mercado irá absorver muito bem o produto, que movimenta escolas e a cultura local”, observa. A realização da Bienal deve, de acordo com Swinka, aumentar bem as estatísticas de público. Só o evento deve atrair 200 mil pessoas, ajudando a elevar em 60% a 70% o público de 2009.

Agenda vai de Congresso Médico a feira de supermercados

Além da Bienal do Livro, outros eventos importantes que devem acontecer no Estação Embratel Convention Center são o Salão do Estudante 2010, já no primeiro semestre, assim como o 1.º Congresso Nacional dos Farmacêuticos do Paraná; a 45.ª Jornada Sul Brasileira de Anestesiologia e o IX Congresso Brasileiro de Insuficiência Cardíaca, entre outros.

Para o segundo semestre, estão programados o III Congresso Internacional de Especialidades Pediátricas; o 22.º Congresso Brasileiro de Medicina do Exercício e Esporte; a Pork Expo 2010 e a ExpoVendaMais 2010.

Já há, também, eventos marcados para 2011 e 2012, como a 39.ª Conferência Mundial de Escotismo, o XXIII Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica e o XV Simpósio de Sensoriamento Remoto, no ano que vem, e o Salão Noiva Sul, a Feira de Imóveis, em 2012.

No Expo Unimed, estão programados eventos como o Noivas Curitibanas 2010, em abril; a 13.ª Feira Nacional de Saúde, Segurança no Trabalho e Emergência (Prevensul), em junho; o 5.º Congresso Internacional de Bioenergia 2010, em agosto; e o Congresso Brasileiro de Oncologia Pediátrica 2010, no final de setembro e início de outubro.

Já no Expotrade Pinhais, estão agendadas a XII Conferência Estadual Espírita, da Federação Espírita do Paraná, em março; a 10.ª edição da Mercosuper 2010, em abril; a 5.ª Feira Sul Brasileira de Fornecedores da Indústria Automotiva (Autopar), em junho; a 18.ª Feira Sul Brasileira da Indústria Metal-Mecânica (Expomac), em setembro e a 13.ª Feira de Fornecedores da Construção Civil (Expocon), em outubro.

Para o Centro de Exposições do Parque Barigui, estão programados a Feira Internacional de Cultura e Artes, em março; a 27.ª Feira Lar & Decoração e a Expo Sul Moda Show Brasil, em abril; a 24.ª Feira Internacional de Artesanato (Feiarte), em maio; a Feira de Malhas e Lãs, em junho; a Feira de Ponta de Estoque, em julho; a Decorar, em agosto; a 14.ª Feira de Móveis do Paraná (Mobiliar), em outubro e a Feira de Santa Rita, em novembro, entre outros. (HM)

Eventos mobilizam a cidade

Com a movimentação atraída pelos eventos, nem só os centros de convenções e os hoteis que hospedam os participantes repartem o dinheiro deixado por eles. De acordo com dados do Departamento de Eventos do Curitiba Convention & Visitors Bureau (CCVB), a receita gerada pelos turistas de negócios e eventos em Curitiba, em 2009, foi estimada em aproximadamente R$ 100 milhões.

Segundo o gerente geral do Estação Embratel Convention Center, Rodrigo Swinka, os eventos têm grande potencial para gerar turismo de negócios à cidade. Mas ele conta que também é comum que o turismo se torne convencional, com participantes esticando a estadia em Curitiba em um ou dois dias para fazer passeios pela região, ajudando também a movimentar mais os hoteis e restaurantes. “Ainda falta na cidade um pouco de atratividade para segurar mais as pessoas, mas está melhorando”, opina.

Outra vantagem de reter esse turista na região, na análise do executivo, é que ele costuma gastar bastante. “Geralmente é um público com poder aquisitivo muito bom”, observa, lembrando que entre os profissionais mais comuns estão muitos médicos e outros com alto grau de especialização. (HM)