A economia brasileira não cresce desde meados dos anos 90s em ritmo suficiente para seguir o crescimento mundial, apesar da queda dos níveis inflacionários altíssimos até então registrados. A média mundial também não foi nada espetacular, mas as exceções ficaram por conta do altissonante desempenho da China e da Índia, os dois países emergentes que assombraram pela marcha acelerada do desenvolvimento.

Desde a metade da década passada, 2004 foi o ano de melhor perfil do Produto Interno Bruto (PIB), com o crescimento de 4,9%, ao passo que a média mundial situou-se em torno de 5,3%, segundo informações do Fundo Monetário Internacional (FMI). Os economistas trataram de enfocar esse crescimento com alguma reserva, tendo em vista a média bastante reduzida de 2,5% nos últimos dez anos.

O cabo de sustentação foi o excelente comportamento do comércio internacional, que há trinta anos não se apresentava de forma tão auspiciosa para os exportadores brasileiros. O ápice dos negócios externos deu-se entre 2002 e 2005 e tem mostrado ampla possibilidade de repetir-se no presente exercício, devido à grande procura e aceitação de commodities produzidas no Brasil, pelo insaciável mercado asiático.

Portanto, o panorama favorável da economia mundial, que mantém um ritmo médio de crescimento em torno dos 5%, é que tem servido como guindaste a puxar para cima a economia nacional, ao passo que a expansão interna estimada para esse ano não supera a casa dos 3%, mesmo na projeção mais otimista.

Os vizinhos do Brasil na América Latina vão crescer bem mais este ano, e essa é uma realidade que não nos deixará em posição lisonjeira em comparação com Argentina, Chile, Venezuela e México, entre outras economias menos pujantes. O Fundo Monetário Internacional, de quem nos livramos com certo esnobismo de novo-rico, numa espécie de vingança tardia calcula que a média regional de crescimento ficará em 5%, tendo na liderança absoluta o país governado por Hugo Chávez, com quase o dobro do índice, baseado na esfuziante receita do petróleo.

Índia e China mais uma vez dispararam em relação ao Brasil e Rússia, dois parceiros que os economistas também incluíram na sigla ?Brics?, para significar o que entendiam como espetacular vocação de progresso econômico emergente, ajudam, com seus quase 10% de crescimento em 2006, a elevação da média mundial.

A pouca aptidão da política interna para avançar nas reformas estruturais, conforme a opinião generalizada dos analistas, alimentou a disparidade entre o crescimento brasileiro e o mundial. Há também os que apontam para a falta de eficiência na gestão dos gastos públicos, cacoete recorrente da máquina governamental, compreendida nas esferas federal, estadual e municipal, como fator de desestímulo aos investimentos.

Com a implantação do Plano Real em 1994, a política macroeconômica decorrente logrou a estabilidade monetária, mas foi incapaz de soldar a estratégia do desenvolvimento sustentável, hoje expressão tão vazia quanto uma bola furada. Esse é o campo minado sobre o qual evoluem os batalhões de Lula e Alckmin, prenhes de votos, mas secos de esperança e entusiasmo popular.