A paixão pelas brigas de galo está complicando cada vez mais, junto à Justiça, a situação do publicitário Duda Mendonça, responsável pela campanha de eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu amigo pessoal. Depois de ter sido preso numa rinha de galos no ano passado, no Rio de Janeiro, ele deve ser denunciado amanhã (6) ao Juizado Especial do Crimes contra o Meio Ambiente da Bahia, pela Procuradoria do Meio Ambiente de Salvador, por crime ambiental, devido às suas ligações com o Clube do Galo da capital baiana. Caso seja condenado, pode pegar uma pena de 3 meses a um ano de prisão.
O Ministério Público comprovou o envolvimento de Duda após a prisão em flagrante num restaurante da orla marítima de Salvador, de seis pessoas, em maio, numa rinha do Clube do Galo "estourada" numa operação do MP e Polícia Militar. Um dos detidos, Reginaldo Prata Rocha, responsável pela rinha, declarou no inquérito aberto para apurar o caso que "vendeu e vende galos de briga" para Duda. Além disso, informou que o "amigo" mantém oito tratadores para cuidar dos seus animais.
Duda também foi citado como colaborador e benemérito da Associação Baiana de Criadores e Preservação dos Galos das Raças Combatentes da Bahia (ABGC), cuja sede funciona, estranhamente, no escritório de advocacia que representa a entidade.
Convocado para esclarecer suas ligações com a briga de galos, o publicitário não compareceu ontem (4) à audiência marcada pela Promotoria do Meio Ambiente.
O promotor Heron Santana um dos que cuidam do caso, esclareceu que a briga de galo é crime ambiental tipificado no Artigo 32 da Lei Federal 9.605/98, que trata dos delitos contra a natureza e pune as pessoas que expõem animais a maus-tratos, legislação confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça. Ele lamentou o envolvimento de uma pessoa ligada ao presidente da República nessa atividade.
"Depois da sua prisão do Rio de Janeiro, o senhor Duda Mendonça deveria pedir desculpas e se afastar das rinhas de galo mas isso não ocorreu, pelo contrário ele continuou a freqüentar esse meio, certamente acreditando na impunidade", comentou Santana, informando que as apurações apontam Duda como um dos principais incentivadores das rinhas de galo em todo o Brasil. "Descobrimos que ele sempre era a pessoa disposta a colaborar financeiramente com os clubes e associações dessa atividade que se encontravam em dificuldades financeiras", disse o promotor, prevendo problemas para qualquer acordo do acusado com a Justiça pelo fato do publicitário Ter sido preso no Rio pelo mesmo tipo de delito.