Salvador (AE) – Em depoimento que durou mais de cinco horas hoje (14) na Polícia Federal de Salvador, o publicitário Duda Mendonça negou as denúncias do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, segundo as quais teria várias contas bancárias no exterior. Disse que não conhece o doleiro Jader Kalid e assegurou que todas os pagamentos feitos pelo ex-governador Paulo Maluf a ele foram em real, mantendo comprovantes e recibos.

Duda garantiu que abriu apenas uma conta no exterior, a Dusseldorf, nas Bahamas, por exigência de Valério para receber o pagamento dos trabalhos realizados na campanha de 2002 do PT, conforme havia declarado à CPMI dos Correios em 11 de agosto. Ele apresentou ao delegado federal Luis Gustavo Góes, que tomou seu depoimento, a documentação referente à regularizado da conta junto à Receita Federal, quando corrigiu a declaração de renda no imposto ano base 2003, exercício de 2004, recolhendo R$ 4.334.819,00 de impostos e taxas sobre a movimentação financeira da Dusseldorf.

Mais uma vez, ao deixar a PF, Duda não quis falar à imprensa, delegando a função a um dos seus advogados, Tales Castelo Branco, que deu pelo menos uma informação contraditória ao informar que o publicitário já havia encerrado a conta Dusseldorf (há uma semana) e gastado os recursos que seriam da ordem de R$ 15,5 milhões. Na CPMI dos Correios Duda havia declarado que o dinheiro ainda estava depositado na conta. "Para o fisco não interessa como e com que o contribuinte gasta o dinheiro, mas a origem do dinheiro; feita a comprovação do crédito e pago o tributo, não há mais o delito de sonegação", entende o advogado, achando que a atitude foi "uma demonstração de honestidade". Castelo Branco não quis comentar as razões que levariam Valério a incriminar Duda. "Isso tem que ser perguntado a ele (Valério)".

Para o advogado, "o Brasil inteiro já deve ter percebido que Duda Mendonça é indubitavelmente, senão o único, pelo menos um dos poucos que recebeu o dinheiro fruto do seu trabalho: não há dinheiro de corrupção, maracutaia, nenhuma forma de desonestidade, foi recurso correspondente a trabalho que ele fez se cometeu um equívoco abrindo uma conta no exterior, condição imposta para receber o seu trabalho, agora regularizou tudo pagando seus impostos".

Sobre Maluf, Castelo Branco foi enfático: "Nas campanhas que trabalhou para Paulo Maluf o recebido foi em reais, no Brasil e com contrato e nota fiscal correspondente".

Duda chegou à PF acompanhado da sócia Zilmar Fernandes e os advogados Castelo Branco e Hélio Sérgio Santana por volta das 10h25. Foi logo avisando que não daria entrevistas e que um dos seus advogados falaria após o depoimento. Ele aparentava cansaço e estava com voz rouca. Ao sair dirigiu-se imediatamente ao seu carro, enquanto esperava Castelo Branco falar aos jornalistas. O advogado disse que o estado de espírito de Duda no momento é de um homem que "se sente injustiçado, magoado com algumas barbaridades, que não ocorreram jamais, que a imprensa tem divulgado a seu respeito".

O delegado Góes achou as declarações de Duda "convincentes". "Ele confirmou que não conhece o doleiro Jader Kalid, afirmou não ter recebido nenhum dinheiro de contas do exterior do senhor Paulo Maluf e sustentou terminantemente não possuir outras movimentações bancárias além da conta Dusseldorf, apesar de terem sido identificadas algumas movimentações pelo setor de criminalística (da PF) relacionadas a este fato: ele negou e vamos aguardar o que ele pode nos fornecer relacionado a esses documentos". Góes esclareceu que não foi enviada à Polícia Federal nenhuma evidência relacionada ao caso que envolve Maluf. Duda Mendonça deu o segundo depoimento à PF para esclarecer as contradições surgidas entre o primeiro e as declarações dadas por Marcos Valério.