A Polícia Federal intimou Ana Paula Cardoso Vieira, executiva de eventos culturais, para depor no inquérito sobre o dossiê Vedoin. A PF está convencida de que o celular pré-pago de Ana Paula foi utilizado como canal de comunicação entre os integrantes da força-tarefa que o PT escalou para a operação de compra do dossiê de R$ 1, 75 milhão.

O cruzamento telefônico promovido pela PF revela que Hamilton Lacerda, ex-coordenador da campanha do senador Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo, usou intensamente o celular de Ana. Por meio desse telefone, Lacerda ligou 23 vezes para Jorge Lorenzetti, araponga do PT e churrasqueiro predileto do presidente Lula.

Foram feitas 11 chamadas para um celular do comitê de campanha de Lula e 11 para Gedimar Passos, ex-agente da PF preso em São Paulo, com Valdebran Padilha, no dia 15 de setembro, ambos envolvidos na frustrada operação de compra do dossiê. O pré-pago também recebeu ligações. Foram pelo menos 10 originárias de um celular em nome do comitê de Lula; seis de Jorge Lorenzetti e duas de Gedimar.

No dia em que a PF interceptou a trama, Gedimar fez duas ligações para o número que Lacerda usava, segundo laudo do Instituto Nacional de Criminalística. O mapa dos contatos também confirma ligações para o escritório nacional do PT. Mostra ainda que Lorenzetti, depois de captar chamadas do número usado por Lacerda, fez contatos sucessivos com o comitê da campanha de reeleição do presidente Lula.

"Telefone seguro"

A PF suspeita que o celular da executiva foi adotado como "telefone seguro", procedimento habitualmente empregado pelo crime organizado para dificultar eventual monitoramento da polícia. Outros telefones, igualmente cedidos por terceiros, teriam sido usados por outros integrantes do esquema do PT, especialmente nos momentos decisivos da missão.

O pré-pago de Ana Paula chamou a atenção dos federais por causa do grande volume de ligações para os quadros do PT envolvidos na trama. A suspeita de que Lacerda é quem usava esse pré-pago ganhou força porque os registros da operadora indicam que o celular dele estava sempre sob a mesma área de cobertura do número de Ana.

Na próxima semana deverá ser tomado o depoimento de Mercadante, principal beneficiário do dossiê Vedoin, segundo avaliação da PF.