O aval da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados) ao relatório sobre a reforma tributária, o superávit primário recorde do setor público, a expectativa de novas captações de empresas brasileiras no exterior e até rumores de uma nova emissão soberana do Brasil, animaram os investidores e provocam uma reavaliação de perspectivas pelos analistas. Assim, ao contrário do esperado, o dólar comercial voltou a romper o patamar de R$ 3 depois de três dias. A moeda norte-americana fechou em baixa de 2,52%, vendida a R$ 2,935.

Ontem a CCJ aprovou o relatório do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) sobre a proposta de reforma tributária encaminhada pelo governo, e agora o projeto segue para apreciação de uma comissão especial antes de ser votada em plenário.

Na esteira da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), que captou US$ 100 milhões, e do Banco Votorantim, que conseguiu US$ 100 milhões, outras empresas brasileiras se preparam para fazer captações no exterior. Com medo de que essas operações possam fazer recuar ainda mais as cotações da moeda norte-americana, empresas exportadoras correram para vender dólares.

Circularam também rumores de que o Tesouro Nacional estaria preparando uma nova emissão soberana. No dia 29 de abril, o governo emitiu US$ 1 bilhão em títulos da dívida externa com vencimento em 2007.

O bom desempenho dos ativos brasileiros foi outro fator que contribuiu para o bom humor dos investidores. O C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, teve alta de 0,70% e foi negociado a 90,125% do valor de face. O risco-País recuou 0,75%, para 786 pontos.

Reavaliação

A acentuada queda do dólar ontem faz especialistas repensarem as estratégias para os próximos dias. ??Eu também acreditava que o piso do dólar seria R$ 3??, diz Reginaldo Gamba, analista da Corretora Bittencourt. Depois da retomada do otimismo pelo mercado, porém, ele refez suas estimativas e agora vislumbra um nível de oscilação para a moeda norte-americana entre R$ 2,95 e R$ 3,05.