O grande benefício para a inflação trazido pelo câmbio foi registrado em 2006, mas a expectativa é de que ainda haja algum espaço para que o real se valorize ante o dólar este ano, podendo continuar trazendo boas notícias para a inflação. A avaliação foi feita nesta segunda-feira (5) pelo pesquisador do Índice de Preços ao Consumidor, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), Juarez Rizzieri. "A grande queda na cotação ocorreu no ano passado, mas vemos a continuidade da queda agora. Nem o patamar de R$ 2,15, o mercado está segurando", comentou, referindo-se ao fato de, na semana passada, o dólar ter furado a barreira dos R$ 2,10.

Rizzieri salientou que, no mercado, ninguém ousa imputar uma projeção de R$ 2,00 para a moeda ao final deste ano. "Mas é preciso lembrar que, em 2006, a previsão para o final do ano era mais perto de R$ 2,40 e a moeda acabou fechando em R$ 2,15", comparou.

Na avaliação do pesquisador, o câmbio foi um dos principais fatores que levaram a inflação do ano passado a registrar níveis baixos em todos os tipos de medidas feitas pelos mais diferentes institutos de pesquisa. "Não há como ignorar o efeito benéfico do câmbio para a inflação e o câmbio continua generoso", afirmou. Ele enfatizou que o nível das reservas brasileiras está alto e que o Banco Central poderá continuar intervindo no mercado.

Rizzieri destacou ainda que o câmbio mais baixo facilita a aquisição de produtos importados e isso, segundo ele, serve como um freio para o aumento dos preços domésticos. "Tudo isso funciona como uma válvula", disse.

Para o pesquisador, no entanto, a inflação deve ficar levemente mais alta este ano do que a de 2006, por conta da previsão de aumento da demanda. Este aumento, por sua vez, é esperado por causa dos efeitos da queda dos juros, do aumento do crédito e da elevação dos salários, em especial, do salário mínimo. "Por isso o Banco Central está mais cauteloso com a política monetária", disse, referindo-se ao fato de na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), os diretores do BC terem reduzido o ritmo de corte da taxa básica de juros (Selic) de meio ponto porcentual para 0,25 ponto porcentual.

Rizzieri ponderou que este aumento da demanda poderá fazer com que os preços domésticos, em especial os serviços, que não sofrem os efeitos da concorrência externa, mostrem um pouco mais de pressão. É por este motivo, inclusive, que ele prevê que a inflação de 2007 fechará em 3,50% na capital paulista ante uma alta de 2,55% verificada no mês passado.