A disputa eleitoral atingiu em cheio integrantes da CPI dos Correios e acabou estremecendo as relações de dois antigos correligionários no Paraná: o relator da comissão, deputado Osmar Serraglio (PMDB), e o sub-relator de movimentação financeira, deputado Gustavo Fruet (PSDB). De olho nos votos do eleitorado paranaense, Serraglio e Fruet travaram um batalha nos bastidores da CPI em busca de notoriedade. No balanço final, o peemedebista foi bem-sucedido e conseguiu alijar o tucano das principais decisões.

"Os consultores ficam com receio até de conversar comigo e me dar informações. Mas continuo monitorando toda a parte da CPI que trata de movimentação financeira", diz Fruet. "Realmente ele (Fruet) ficou chateado com a contratação das consultorias. Mas era uma necessidade da CPI. E ele acabou praticamente excluído porque os consultores passaram as informações para os coordenadores do trabalho", argumenta Serraglio.

Nos oito meses de funcionamento da CPI, Fruet passou de principal estrela da comissão para o ostracismo. Deixou de ser consultado e seu acesso aos dados da movimentação financeira de Marcos Valério de Souza foi dificultado. Não faz parte sequer do grupo de quatro parlamentares com acesso à quebra do sigilo bancário e fiscal das contas no exterior do publicitário Duda Mendonça.

Tanto Serraglio quanto Fruet vão concorrer em outubro à reeleição para a Câmara. Em 2002, Fruet foi eleito para seu primeiro mandato federal com 105.166 votos e Serraglio obteve 101.019 votos. Na época, ambos eram do PMDB. Mas Fruet acabou deixando a legenda por divergências com governador do Paraná, Roberto Requião, que em 2004 vetou sua candidatura à prefeitura de Curitiba.

O reduto eleitoral de Serraglio está concentrado no noroeste do Estado, na mesma região do filho do ex-ministro José Dirceu, Zeca Dirceu, prefeito de Cruzeiro do Oeste. Já o voto de Fruet é concentrado em Curitiba. "Mas com certeza neste ano Serraglio vai ampliar seu eleitorado na capital", provoca Fruet. "Não há disputa entre nós até porque não estamos concorrendo a nenhum cargo majoritário", desconversa Serraglio.

A notoriedade ganha por Fruet assim que assumiu a sub-relatoria de movimentação financeira da CPI desagradou a Serraglio. Na época, o relator confidenciou a amigos que se sentia excluído do trabalho feito pelo tucano. Reclamou que ele não lhe contava nada e que só acabava tendo conhecimento pelos jornais da maior parte das novidades e descobertas feitas pela CPI. Fruet tentou contemporizar e passou a incluir Serraglio em todos os anúncios.

Foi assim quando divulgou, em novembro, a descoberta de que pelo menos R$ 10 milhões de dinheiro do Banco do Brasil tinham ido para o esquema de Valério. Serraglio não deu, no entanto, mais espaço para Fruet divulgar as descobertas da comissão e passou ele mesmo a ser o principal divulgador das novidades da CPI.