A batalha eleitoral pelo governo da Bahia entre o candidato à reeleição Paulo Souto (PFL) e o petista Jaques Wagner saiu dos palanques para os tribunais. Advogados das duas campanhas não têm dúvidas de que esta é, de longe, a disputa eleitoral baiana que mais produziu ações e condenações judiciais, com a concessão de direito de resposta ou supressão do tempo de programa no rádio e na televisão por uso indevido do horário eleitoral.

"A campanha foi altamente judicializada", diz Jaques Wagner que, a despeito dos protestos do adversário e das penalidades aplicadas pela Justiça, usou e abusou das imagens e falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu programa eleitoral. O resultado foram mais de 50 condenações com direito de resposta que permitiram ao pefelista Paulo Souto ocupar 25 minutos do programa de Wagner na televisão. "Já estou até enjoado de tanto aparecer no programa dele", ironizou Souto, referindo-se ao adversário.

"Eu acho que a cola de imagem (dele com o presidente) é natural, porque somos amigos há 28 anos, fui ministro de Lula e estive ao lado dele no momento da crise", justifica Jaques Wagner, ao reclamar da postura da Justiça. "O TSE decidiu pela verticalização das alianças e agora não deixam verticalizar as campanhas. É um absurdo.

Wagner defende a tese de que "querer fingir que Lula não tem lado é estelionato eleitoral". "Nossos adversários é que não assumiram nada e esconderam o candidato deles", critica, ao lembrar que, no debate entre os candidatos a governador da Bahia o pefelista Paulo Souto não fez uma única referência ao nome do presidenciável tucano Geraldo Alckmin. "Nem parecia que o PFL tem candidato a presidente", alfinetou. "Minha posição está muito clara e, se estamos discutindo o governo da Bahia, não tenho por que mencionar Alckmin, até porque em nenhum momento fui provocado a fazê-lo", contesta Souto, que nunca exibiu a imagem do candidato tucano em seu horário eleitoral.