A revista IstoÉ que circula esta semana traz em sua capa a foto do estelionatário Laércio Pedroso, condenado pela Justiça Federal e com vários inquéritos em andamento na Polícia Federal e Civil. Ele é a principal ?fonte? da revista sobre suposto Caixa 2 na binacional. Surpreendidos por esse comportamento pouco exemplar do exercício do jornalismo, os três diretores-gerais da empresa, o atual Jorge Samek e os ex-Euclides Scalco e Francisco Gomide concederam nesta segunda-feira (16) entrevista coletiva na sede da Itaipu, em Curitiba.
Como as ?atividades? ilícitas do delinqüente Pedroso foram iniciadas em 1992, falsificando uma carta de Gomide ao então diretor financeiro Edson Guimarães, os diretores fizeram um mosaico histórico da vida financeira de Itaipu. Pela primeira vez na história da empresa, ex-diretores se uniram ao atual para defendê-la, preservando sua imagem. Em razão de problemas particulares, o também ex-diretor Antônio José Correia Ribas não pôde comparecer, mas está solidário com a posição dos demais.
Scalco foi enfático ao afirmar que é impossível fazer caixa dois na Itaipu. ?Isso nunca existiu e nem existirá. Essa reportagem da IstoÉ é algo intolerável, um disparate porque usa um desqualificado como fonte.? O ex-diretor que esteve à frente da hidrelétrica de outubro de 1995 a abril de 2002 lembra ainda que ?todos os diretores que passaram pela Itaipu jamais agiram de forma ilegal?. Ele também estranhou a posição do deputado federal do seu partido (PSDB), Luiz Carlos Haully ?pois desconheço que interesses ele teria, embora aja dessa forma reiteradamente desde 2003?
As denúncias apresentadas pela reportagem foram contestadas com provas pelos diretores. Jorge Samek descartou qualquer possibilidade de formação de conta secreta e Caixa 2 em Itaipu, devido à fiscalização que a empresa está submetida e que ?seriam necessários 17 anos de inadimplência para a empresa conseguir esse volume de dinheiro?. Samek afirmou ainda que Itaipu tomará medidas jurídicas nas áreas cível e criminal contra a revista, o autor da matéria e o notório Laércio Pedroso.
Para Francisco Gomide, o caso de Pedroso exemplifica que a impunidade no país. Segundo ele, ?a primeira é a dificuldade de condenar e a outra a delicadeza das penas. Esse sujeito recebeu sentença para não delinqüir por dois anos, quando na verdade num país sério não se pode delinqüir em nenhum momento da vida?.