No Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) disse, nessa terça-feira (13), que o ex-ministro-chefe da Casa Civil, deputado José Dirceu (PT-SP), não sabia da movimentação das finanças do Partido dos Trabalhadores feitas pelo ex-tesoureiro Delúbio Soares.

"Acredito que ele (José Dirceu) não tem nenhuma responsabilidade naquilo que ficou conhecido como empréstimos ou ?Valerioduto?. A função de chefe da Casa Civil e coordenador político do governo é suficientemente grande para que ele não se envolvesse nos assuntos internos do PT", disse. Segundo Chinaglia, as influências de José Dirceu no PT eram "apenas políticas".

Chinaglia contou que quando José Dirceu era presidente do PT (de 1995 a 2002), "dificilmente Delúbio Soares agiria à revelia ou sem o conhecimento dele".

"Zé era um dirigente muito aplicado e acompanhava todos os passos não só do Delúbio mas da Executiva (Nacional do PT)", apontou. "Normalmente poucos se interessavam e questionavam a prestação de contas do partido. O que não exclui a hipótese de que outro dirigente, além do tesoureiro, soubesse mais detalhadamente a movimentação financeira do partido."

Além de Chinaglia, o Conselho de Ética também ouviu o ex-ministro Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e o ex-ministro Eduardo Campos (PSB-PE). Os três foram as primeiras testemunhas indicadas pelo deputado José Dirceu no processo que tramita contra ele no Conselho.