Dinheiro da Tapa-Buraco foi para ‘sarjeta’, diz ministro

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes, relator no tribunal dos processos relativos ao setor de transportes, disse nesta quarta-feira (23) que o dinheiro aplicado na Operação Tapa-Buraco foi "literalmente jogado na sarjeta". "Os técnicos do TCU me disseram que muitas das estradas envolvidas na operação já voltaram a ter problemas. O trabalho feito nelas foi de fato, superficial", disse Nardes.

Realizada no primeiro semestre do ano, a Operação Tapa-Buraco recebeu investimentos de quase R$ 500 milhões para que fossem realizados serviços emergenciais de reparos em quase 27 mil quilômetros de rodovias federais.

Recentemente, o TCU fez uma nova auditoria em cerca de dez trechos do programa, selecionados dentre os cerca de 100 que foram fiscalizados pelo TCU no primeiro semestre. Segundo o secretário de Fiscalização de Obras do TCU, Cláudio Sarian, pelo menos em quatro dos dez trechos selecionados a pista já voltou a ter problemas, entre eles o trecho baiano da BR-330 (entre os quilômetros 718 e 830) e da BR-020, em Goiás, do início da rodovia até o quilômetros 252.

Irregularidades

Para o ministro Augusto Nardes, parte das obras da Operação Tapa-Buraco não foi feita como deveria porque o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) não tem uma quantidade suficiente de técnicos para fiscalizar as obras. Além dos problemas na qualidade das obras, o TCU já havia apontado indícios de irregularidades como sobrepreço e obras feitas sem contrato. Por conta disso, disse o ministro, alguns encarregados das obras junto ao DNIT já foram multados pelo TCU. Nardes, porém, não informou precisamente quantas multas foram aplicadas.

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