Brasília – Na era do computador, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos entrega mais de 32 milhões de correspondências por dia. São cartas escritas à mão, muitas delas, perfumadas e com pétalas de rosas. Em 1994, 4,7 bilhões de mesangens chegaram a seus destinos. No ano passado, o número subiu para 8,3 bilhões.

A entrega dessas mensagens pode, inclusive, unir pessoas de lugares onde o telefone ainda não chegou. O serviço é feito pelos Correios, que nesta segunda-feira (9) comemora o dia em que foi criada a União Postal Universal (UPU), unidade que integra 190 países.

Em Brasília, a data teve comemoração especial: a estudante de Goiás Laura de Paula Silva ganhou a terceira medalha de ouro para o país no Concurso Internacional de Redação de Cartas. O tema desta edição foi  Escrevo-te para dizer como serviço postal ajuda a me conectar com o mundo.

Laura escreveu sobre a importância dos correios em uma comunidade da Amazônia. ?Para falar sobre a importância do serviço postal imaginei uma comunidade amazonense isolada, em que as pessoas precisam desse serviço", conta. "Fui desenvolvendo a história com base também em uma pesquisa que fiz e consegui fazer a carta?.

Na avaliação do secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Fernando Rodrigues, a conquista da estudante traz reconhecimento ao Brasil pelo trabalho realizado pelos Correios.

?Esse tri-campeonato é importantíssimo, ainda mais partindo do fato de que é uma estudante do ensino médio. Um campeonato como este desperta no jovem a necessidade de escrever. A carta ainda é tida como o meio de comunicação mais importante. Tem internet, tem outros meios, mas a carta ainda desperta sentimentos.

José Carlos Macedo, morador de São José do Rio Preto (SP), concorda. ?A carta é uma sensação mágica, só a pessoa que escreve sabe. Aquela alegria de postar uma carta e saber que ela vai chegar a alguém que ficará feliz com isso é uma coisa que o computador não oferece?.

Há 30 anos Macedo tem como rotina escrever cartas para os amigos. Ele já se correspondeu com 200 pessoas e hoje mantém contato com amigos de várias partes do país.

Para Maria José Borges – conhecida como Zezé de Pindorama, cidade de Tocantins – os amigos que têm por correspondência são confidentes para todos os momentos.

?A gente divide tudo, tenho amizade com pessoas de diferentes idades. Conto tudo que acontece na minha vida, peço conselhos, sei que posso confiar neles?, conta. ?Tenho amigos de Minas Gerais, Pará, Mato Grosso, Bahia, Goiás, de todo o Brasil. Nunca mais quero perder essas amizades?.