Walter Alves / GPP
Walter Alves / GPP

No paraná, planícies acabam desvagadas por conta da pastagem de búfalos além
do comércio ilegal de palmito.

Brasília ? A taxa de desmatamento de mata atlântica teve redução de 71% em oito estados no período de 2000-2005. A conclusão é de estudo realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em comparação com os anos1995-2000.

Na data em que se comemora o Dia da Mata Atlântica, 27 de maio, o diretor de relações institucionais da organização não-governamental SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, diz que o número é um "alento". "O ritmo de devastação ainda é grande, mas o fato de reduzir 71% nos anima muito e mostra que estamos no caminho certo", afirmou em entrevista à Rádio Nacional.

Dos oitos estados avaliados, em apenas dois o desmatamento cresceu: Goiás (18%) e Santa Catarina (8%). O estado que mais reduziu o deflorestamento foi o Espírito Santo (96%), seguido pelo Rio de Janeiro (90%). O diretor da SOS Mata Atlântica atribui os resultados à fiscalização mais efetiva e à conscientização das pessoas em relação às questões ambientais. "Há dez anos a questão do meio ambiente não tinha o destaque que tem hoje", disse. "Com o tempo e a urgência as pessoas começaram a perceber que a natureza é uma coisa séria e está intimamente ligada a nossa qualidade de vida."

O estudo aponta que o Paraná, que já foi campeão de desmatamento em períodos anteriores, teve redução de 88%. Segundo Mantovani, apesar da redução, ainda há grande resistência no estado quanto à proteção da floresta: "O Paraná é hoje um dos estados mais resistentes por conta de alguns ruralistas que ainda acham que a floresta pode ser explorada como há alguns anos, quando era vista como área agrícola improdutiva".

Ele afirmou que a mata atlântica, que abrange 17 estados, é hoje a segunda floresta mais ameaçada do planeta. A área original da floresta era superior a 1 milhão de quilômetros quadrados e atualmente restam cerca de 90 mil quilômetros quadrados.

Mário Mantovani disse que as ações do poder público não são suficientes para solucionar o problema da devastação e a participação da sociedade é fundamental. "Responsabilidade de meio ambiente é muito sério para deixar na mão do governo", comentou. "Temos que ter uma sociedade cobrando sua qualidade de bem viver e o governo reconhecendo e colocando instrumentos para a defesa da floresta".