O francês Cyril Despres, que lidera a classificação geral entre as motos, com vantagem de 11min15s para o segundo colocado, seu compatriota David Castou, pode ser o segundo estrangeiro a conquistar o título do Rally Internacional dos Sertões, que terá a nona e última etapa hoje, com largada em Cândido Sales e chegada em Porto Seguro, na Bahia, para o percurso de 441 quilômetros. Em 1998, o campeão foi o austríaco Heinz Kinigadner.

O melhor brasileiro na competição é Jean Azevedo, que está na terceira posição, a 22min58s do líder. Ele venceu a etapa de hoje entre as cidades de Brumado e Cândido Sales, após completar os 278 quilômetros, em 1h51min59s, seguido de José Hélio Rodrigues (1h52min10s) e de David Castou (1h53min33s).

Despres terminou em quarto (1h55min01s) depois de andar "tranqüilo". "Hoje [quinta] não andei muito forte, porque estou com uma vantagem boa para o segundo colocado. O trecho era muito perigoso, com muitos animais e pessoas próximas à trilha. Não queria causar problemas a ninguém", afirmou Despres, após cruzar a linha de chegada.

Nada abala a confiança do francês, que já se considera o campeão da prova. Nem mesmo a chuva forte que está prevista para amanhã, de acordo com a meteorologia, o preocupa. "Na França chove seis meses seguidos. É normal. A única coisa que tenho de me preocupar é com a caipirinha depois da prova", disse sorrindo. "Quando estou na moto, sei o que estou fazendo", acrescentou.

Sétimo colocado no Mundial Cross Country (o Rally dos Sertões soma pontos para o Mundial), Despres diz não ligar para sua colocação. É apenas o sétimo. David Castou é o líder.

O objetivo de Despres é o Rali Dacar, prova que já foi campeão no ano passado e vice este ano. "Vim aqui para me divertir e testar a moto para o Dacar", afirmou o líder dos Sertões, que depois de estrear no Brasil irá disputar uma prova de enduro na Romênia.

Entre os carros, a dupla João Franciosi e Rafael Capoani (Mitsubishi) surpreendeu hoje ao vencer a penúltima etapa e assumir a liderança da prova. Em segundo lugar está a dupla Reinaldo Varela e Marcos Macedo (Mitsubishi), que até esta quarta liderava a prova com 10 segundos de vantagem sobre Franciosi.

O carro de Varela teve problemas mecânicos. "Uma peça do turbo quebrou e me arrastei na prova. Não posso desanimar, a prova ainda não acabou. Do mesmo jeito que aconteceu comigo (a quebra do carro), pode acontecer com os outros também", disse Varela.

Já Franciosi estava sorrindo à toa. Natural de Casca, Rio Grande do Sul, ele mora há 22 anos em Luis Eduardo Magalhães, na Bahia. Hoje, andou no limite, mesmo sabendo que seu caminhão de apoio havia capotado na véspera e perdido todas as peças. Um prejuízo de mais de R$ 150 mil. Se não bastasse, estava com uma inflamação na garganta e com febre. "Corri com a faca nos dentes. Sabia que hoje teria de ir para o tudo ou nada", disse Franciosi, que participa pela segunda vez da prova. No ano passado, terminou em quarto lugar, quatro segundos atrás de Reinaldo Varela, seu principal adversário.

Entre os caminhões, a dupla Amable Barrasa e José Papacena (Ford) lidera a prova com mais de uma hora de vantagem para a dupla Ulysses Marinzeck e João Ferreira Neto, da mesma equipe. Amable só precisa terminar a prova para ser campeão.