A decisão anunciada pela ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT) de não disputar novamente a prefeitura de São Paulo em 2008 dividiu colegas de partido e animou aliados de Gilberto Kassab, do partido Democratas (DEM), ex-PFL, para quem, sem a petista no páreo, aumentam as chances do prefeito buscar a reeleição. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Marta afirmou que ‘tem de pensar em quatro anos’ à frente do ministério, ao ser questionada se participaria da eleição municipal no ano que vem. E disse que disputar da eleição ao governo em 2010 é ‘mais adequado’, negando projeto de concorrer à Presidência.

Petistas se dividiram quanto ao posicionamento de Marta sobre 2008. Para um grupo, a ex-prefeita nunca quis tentar novamente o comando da capital e, por isso, será preciso escolher entre outros cinco cotados para a vaga. "Mas o escolhido, nesse caso, terá de contar com a ‘bênção’ dela e do Planalto", afirma um integrante do partido, avaliando que uma prévia seria prejudicial à unidade da legenda. No bolsa de especulações petista, aparecem os nomes dos deputados federais Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara, José Eduardo Cardozo e Jilmar Tatto, além do senador Eduardo Suplicy, do ministro da Educação, Fernando Haddad, e do deputado estadual Rui Falcão.

Outro grupo petista, porém, avalia que Marta vai participar da eleição, de um jeito ou de outro. "Ela pode até não querer, mas, se chegar a 2008 sendo o único nome com força para vencer a disputa, será inevitável ocorrer pressão para que saia do ministério", afirma um parlamentar do PT. "Além do mais, ela não poderia fazer outra coisa agora a não ser negar candidatura no ano que vem, senão a passagem pelo ministério começa a acabar já". O petista ainda aponta que a decisão dos vereadores deve pesar muito na escolha. "Não vão querer um pangaré disputando. Para eles, o candidato pode até não vencer a eleição, mas terá de obter grande votação no primeiro turno, para ‘puxar’ a votação ao Legislativo".