A Rocinha fez uma crítica bem-humorada à importância por dinheiro na vida das pessoas, mas não empolgou tanto nas primeiras arquibancadas. Passada a euforia com a madrinha de bateria, a apresentadora Adriane Galisteu, o público não se levantou para aplaudir a comissão de frente nem as primeiras alas. O terceiro carro da escola parou e buraco foi aberto entre os integrantes das alas, prejudicando a evolução da agremiação.

A comissão de frente, que representava a briga por poder não agradou. Os 14 bailarinos vestidos de bonecos, que disputavam sete fantasias, mais lembravam pacientes queimados em recuperação. Um dos carros mais bonitos foi o "Dinheiro de Criança", que lembrava o consumismo dos pequenos. A alegoria trouxe 32 atores vestidos de bonecos como Barbie e Power Rangers No encerramento do desfile, outro carro que impressionou. Era um cemitério, lembrando a máxima que "da vida nada se leva".

A Rocinha desfila após mais um round da luta entre traficantes rivais pelo controle dos pontos de droga. A violência não teve referência no desfile da escola. "Viemos aqui brincar o carnaval", afirmou o carnavalesco Alex de Souza. Já Adriane Galisteu disse que o desfile da escola apagaria as últimas tragédias. "Não viemos aqui fazer um simples desfile, mas para brigar pelo título". Uma moradora da favela, da ala mirim, sintetizou o espírito dos 3.700 integrantes da escola. "Ouvimos boatos de que haveria tiroteio quando entrássemos na avenida. Estamos preocupados com nossos pais que estão em casa. Mas viemos mostrar que a Rocinha não é só violência. Somos alegria também".

Na concentração, um momento curioso. A modelo Ângela Bismarck, conhecida pelas dezenas de plásticas que já fez, ficou noiva do cirurgião plástico Wagner de Moraes. Toda vestida de preto e com roupas mínimas, ela pouco lembrava uma noiva tradicional. Ângela é viúva de outro cirurgião plástico, Ox Bismarck. Para esse carnaval, o noivo fez pequena plástica no nariz da modelo, lipo nos culotes e remodelou com injeções os seis e nádegas.