As estatísticas estão sendo manipuladas. Mostram números contra o governo e a seu favor, conforme quem as divulgue. E, para confusão geral, nem uns nem outros estão mentindo. Os números, especialmente os referentes ao comportamento econômico e ao desenvolvimento social do País no governo Lula, mais parecem horóscopos ou predições de cartomantes. São de linguagem tão dúbia que cabem nas expectativas de quem é a favor e de quem é contra. De quem quer mostrar números negativos e perspectivas pessimistas e de quem opta por números positivos e perspectivas otimistas. E, aí, quem dita o sentido das análises é o interesse político.

Falando à rádio londrina BBC, Lula disse que há um recorde de criação de empregos no Brasil. Ao mesmo tempo, com base em levantamentos do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, foi divulgado que em abril a taxa de desemprego bateu novo recorde, de 13,1%. Pode ser que ninguém esteja mentindo, mas apenas manipulando com as estatísticas. Isso é bem fácil e, se do interesse de alguém, em especial de autoridades que vêem fracassar suas promessas de desenvolvimento e bem-estar da população, podem ganhar as páginas dos jornais, os noticiários das emissoras de rádio e televisão, como indiscutíveis conquistas. E quando do interesse das oposições, podem pintar um quadro negro e tempestades no horizonte.

Se compararmos um anão a um homem de estatura normal, aquele verá neste um gigante. E este poderá achar que o anão é um subdesenvolvido. Um dado estatístico de um determinado período pode ser de crescimento em relação a dados semelhantes colhidos em várias épocas. E negativos se cotejados com épocas de números mais elevados. É uma cesta de números, a escolher. E este governo escolhe os que lhe parecem mais favoráveis ou os números que revelam situações mais suportáveis.

Há uma manipulação que tem sido comum no noticiário sobre desemprego e criação de empregos. Toma-se São Paulo, a maior cidade do País e a mais industrializada e de maior comércio, e se demonstra que está batendo recordes de desemprego. Depois, se vai ao interior do País, descobre-se uma comunidade beneficiada por uma ou duas grandes empresas voltadas à exportação e demonstra-se que lá estão sendo criadas muitas vagas de trabalho.

Para o desempregado, o que interessa é que o seu emprego não existe. Que perdeu o que tinha e não encontra outro. Para o recém-empregado, importante é que quebrou o próprio galho. Mas o cotejo dessas duas situações ou de casos pontuais não serve de termômetro para o País inteiro. Há desemprego e é recorde. O governo falhou nas promessas que fez na campanha e nas que alimentou depois da posse. De acordo com o IBGE, o desemprego recorde de 13,1% em abril foi pressionado pela renda em queda do brasileiro que vive nas seis maiores regiões metropolitanas brasileiras.

Adiciona-se como causa do desemprego um dado importantíssimo: a renda dos brasileiros nas principais regiões metropolitanas vem caindo. Está ganhando menos, comprando menos, a indústria produzindo menos e o País crescendo pouco ou nada, se não encolhendo. E tal acontece onde se concentra a maior parte do operariado e do empresariado. Estamos brincando com números que revelam uma situação explosiva. Só há geração recorde de empregos, lembrando as declarações à rádio BBC, para inglês ver.