Desde novembro, de cada 100 vôos, 30 atrasaram e quatro foram cancelados

Brasília – Desde o dia 27 de novembro, quando a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), começou a divulgar balanços da situação do tráfego aéreo brasileiro, 4% dos vôos foram cancelados e 30% deles sofreram atrasos de mais de uma hora. Do total de 43.770 vôos registrados nos balanços da Anac, 1.768 foram cancelados e 13.171 atrasaram.

Os passageiros dos aeroportos de Guarulhos e Congonhas, em São Paulo, foram os que mais sofreram. Juntos, os dois aeroportos foram responsáveis por 29,3% do total de cancelamentos nos aeroportos da rede Infraero, o que significa 519 vôos. Do total dos vôos que sofreram atrasos de mais de uma hora, Guarulhos e Congonhas correspondem a 27% (3.573 vôos).

O Aeroporto Internacional de Brasília sofreu, no mesmo período, 944 atrasos de mais de uma hora e 104 cancelamentos de vôos. O Galeão, no Rio de Janeiro, teve 1.102 vôos com mais de uma hora de atraso e 43 cancelamentos.

O grande número de atrasos e cancelamentos, além das longas filas e revoltas dos passageiros, fez com que o governo criasse um plano de emergência para garantir a normalidade do atendimento nos aeroportos no Ano Novo. Até o dia 2, as empresas aéreas estão proibidas de cancelar vôos e deverão trabalhar com aviões e tripulação reserva. Hoje, entretanto, vários vôos já foram cancelados.

A crise nos aeroportos começou em outubro. Depois do acidente com o avião da Gol, oito controladores saíram de operação – todos nos setores aéreos próximos a Brasília. Controladores militares foram convocados para trabalhar em regime de emergência. A crise ainda levou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, a defender ?regras claras? para o setor de aviação civil no país.

Para tentar diminuir o caos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou uma medida provisória para contratar 60 controladores de vôo, mas isso não foi suficiente. No dia 5 de outubro, uma pane no sistema de comunicação do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta) de Brasília provocou a paralisação dos principais aeroportos do país. Na época, o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, disse que a aviação brasileira viveu seu dia mais caótico. A falha na torre de controle de Brasília impediu o contato por rádio entre os controladores de vôo e as aeronaves.

Para tentar fazer uma análise dos problemas e das soluções, o Tribunal de Contas da União entrou no caso e divulgou um relatório em que responsabiliza o corte de recursos e a falta de planejamento pela crise enfrentada no sistema aéreo brasileiro. Segundo o relatório, a redução e o bloqueio de verbas teriam comprometido a segurança do sistema de controle aéreo.

Essa semana, a crise piorou novamente, quando a TAM teve vários vôos cancelados. Acusada de overbooking – a venda de passagens em número maior que os lugares no vôo -, a empresa foi proibida de vender bilhetes para vôos domésticos durante três dias. A Força Aérea Brasileira ainda colocou à disposição nos aeroportos de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro aviões militares para uso da TAM. Em cinco dias, esses aviões transportaram 2,6 mil passageiros da TAM.

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