O todo poderoso ministro chefe da Casa Civil perdeu o controle e, em discurso, atacou os principais líderes da oposição. Uma oposição que vinha se comportando de maneira confiável e que acabava de, através de discurso do senador Tasso Jereissati, do PSDB do Ceará, defender o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, objeto de ataques por sua política econômica, que recebe das próprias hostes situacionistas, inclusive de parcelas ponderáveis do seu partido (e de Lula), o PT. O ministro José Dirceu, que na sindicância instalada no Palácio do Planalto investigando a ação de seu ex-auxiliar, Waldomiro Diniz, foi poupado, não sendo nem testemunha, embora responsável por entregar àquele elemento funções importantes de relações do Executivo com o Legislativo, jamais deveria postar-se numa posição agressiva, embora se entenda que insista que nada tem a ver com as negociatas de seu amigo e ex-auxiliar.

A sindicância do Planalto acabou sendo uma prova de que a CPI sobre o caso se fazia necessária. Ela lava as mãos dos homens do poder, a começar pelo chefe da Casa Civil, mas não exclui inquéritos na Polícia Federal e processos na Justiça, onde será difícil, senão impossível, deixar de chamar, pelo menos para depor, o homem forte do governo Lula. Melhor que ficasse calado. Mas saiu com quatro pedras nas mãos, atirando em Jereissati, em José Virgílio, no governador de São Paulo e até no bem comportado e quase sempre anuente governador de Minas, Aécio Neves. Napoleão dizia que a melhor defesa é o ataque. Mas, no caso Diniz, não havia ataque frontal exigindo contra-ataque. Apenas se disse, e é verdade, que o extorquidor Waldomiro Diniz era homem da confiança de Dirceu, o que é uma verdade inconteste.

José Dirceu mostrou-se prepotente, negando aos líderes oposicionistas e mesmo aos oposicionistas que vêm funcionando como aliados de Lula, o direito de expressar dúvidas e muito menos fazer críticas. Pousou de inatacável e intocável. Para o governo Lula, fez de adversários, inimigos. De adversários condescendentes, inimigos vigilantes. Enfraqueceu o situacionismo, que já vinha sofrendo com suas lutas intestinas, agindo como em brigas de parquinho de crianças, como escreveu um jornal inglês. O fato é que essa crise política, que poderia estar passando, não fosse a atitude de José Dirceu, obstaculizou a chamada agenda positiva, decisão governamental de retirá-la das manchetes, para ser substituída por notícias positivas de atos e empreendimentos governamentais rumo ao desenvolvimento econômico, político e social do País. Rumo ao sempre prometido e até aqui nunca cumprido.

O ambiente parece favorável à retomada do desenvolvimento econômico, mais por condições externas que por ações do próprio governo. Os Estados Unidos, nosso principal parceiro comercial, manteve os juros a 1% ao ano. Há ambiente para investimentos externos no Brasil. O Copom, em sua última reunião, embora só tenha derrubado a taxa Selic em 0,25%, sinalizou com uma volta da queda dos juros. O comércio exterior vai bem e estreitam-se os laços com a China. Ela, que já é a segunda maior parceira do nosso País, logo depois dos EUA. E trata-se do maior mercado do mundo. Assim, é hora de aproveitar e não de pôr lenha na fogueira política, acirrando os ânimos de uma oposição que sempre se mostrou comportada.