A criação de uma nova aliança entre escola e mercado de trabalho, segundo Regina Novaes, da Secretaria Nacional da Juventude, é o maior desafio para promover a abertura de vagas, destinadas a absorver 34 milhões de brasileiros na faixa de 15 a 24 anos.

Em palestra no I Congresso Regional da Juventude, ela lembrou que muitas vezes, mesmo com diploma de cursos de nível superior, jovens não conseguem se empregar na profissão que escolheram. A nova geração, afirmou, "está vivendo a ansiedade de não poder planejar o futuro, porque o atual mercado globalizado ficou restritivo e mutante".

De acordo com Regina Novaes, o governo está promovendo ações concretas de inclusão social da juventude, em parceria com empresários e organizações não-governamentais. Mas é preciso, ressalvou, repensar as formas de profissionalização, com possibilidades de ofertar crédito para criar novos empreendedores e formar cooperativas, numa espécie de economia solidária.

No encontro, que vai até sexta-feira, com apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Serviço Social da Indústria (Sesi), o delegado Regional do Trabalho, Jorge Peres, disse que boas idéias muitas vezes não prosperam por falta de estrutura adequada dos estados para gerir os programas federais.

E o vice-governador de Pernambuco, José Mendonça, alertou que ociosidade aliada à falta de perspectivas profissionais baixa a auto-estima dos jovens e os deixa vulneráveis ao envolvimento com a criminalidade.

Entre os participantes do congresso estão 160 jovens beneficiados por projetos sociais de qualificação profissional nos estados do Nordeste. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a região concentra os piores índices de desenvolvimento juvenil do Brasil.

Segundo o relatório de desenvolvimento juvenil, publicado pela Unesco em 2003, no Ceará, 21% dos jovens não exercem qualquer atividade e na Bahia o índice de analfabetismo entre os adolescentes da área rural é superior a 14%.