Autoridades governamentais, lideranças policiais, representantes do setor privado e de instituições acadêmicas do Brasil e de diversos países estão reunidos no município de Foz do Iguaçu participando da 5ª Conferência Executiva de Segurança Pública para a América do Sul, evento promovido pela Associação Internacional dos Chefes de Polícia (IAC) e Secretaria de Segurança Pública do Paraná. Em pauta, o desarmamento, política antidrogas, repressão ao crime organizado, combate a delito de crianças, crimes cibernéticos, pedofilia e tráfico de seres humanos.

O referendo do próximo domingo (23) sobre a proibição da venda de armas de fogo e munição foi o tema do debate de hoje entre os deputados Roberto Freire (PPS-PE) e Alberto Fraga (PFL-DF). No debate, intitulado Desarmamento: Armas da Polícia x Armas do Crime, Freire defendeu o "sim" à proibição do comércio de armas, enquanto Fraga apresentou estatísticas e argumentos para justificar sua posição contrária à proibição.

Alberto Fraga citou pesquisas segundo as quais 74% dos entrevistados na região Centro-Oeste afirmam que querem manter o direito à legitima defesa, o direito de continuar se defendendo dos bandidos, já que o Estado não garante proteção. Segundo o deputado, 88% dos bandidos compram armas no mercado negro e quem será punido será o cidadão de bem, porque o mercado negro vai continuar existinco.

Roberto Freire contestou afirmando que as estatísticas afirmam o inverso. O grande municiador de armas para o bandido é o cidadão de bem, que tem suas armas roubadas. O parlamentar disse que poucas secretarias de Segurança Pública do país têm levantamentos sobre esses números, mas, de acordo com a Secretaria do Rio de Janeiro, 60% das armas apreendidas com bandidos foram compradas legalmente e depois roubadas.

"E são armas brasileiras, produzidas no Brasil", ressaltou Freire. Ele acredita que, com a proibição do comércio de armas de fogo, vai diminuir esse tipo de municiamento. "Uma sociedade desarmada é menos propensa à violência gratuita no trânsito, na família", disse Freire.

A questão do tráfico de drogas também vai entrar na pauta de debates do encontro. O secretário nacional Antidrogas, Paulo Roberto Uchoa, e o diretor subcomissário de drogas da Polícia Federal da Argentina, Nestor Roncaglia, vão apresentar dados sobre a realidades nos dois países.

Outra experiência internacional estará em foco no painel Tráfico de Seres Humanos, com a chefe nacional de Delitos Contra a Família e vice-diretora da Escola de Investigação do Chile, Cristina Rojo Vergara. No painel de Combate a Delitos contra Crianças, o superintendente da Polícia de Vavre, na Bélgica, Luc Borlon, vai abordar o tema desaparecimento e exploração de menores.